Mensagem do Pastor

O jeito certo para enfrentar as tentações de Satanás!

1° Domingo na Quaresma

Textos: Marcos 1.9-15; Salmo 25.1-10; Gênesis 22.1-18; Tiago 1.1;

O mês de março está chegando, e por isto este gosto amargo, esta cara azeda da maioria. É o retorno à rotina do trabalho, das aulas e de uma agenda lotada. Além disto, o início de 2024 começou complicado: A epidemia da dengue.

Enfim, é a dura realidade num mundo onde até um pequeno inseto pode complicar toda a nossa vida. Ou seja, vivemos num mundo instável, cheio de perigoso, completamente imprevisível. 

Enquanto isso, este momento não deixa de ser também um período pesado na vida da igreja, porque junto com o reinício dos trabalhos normais das congregações, é Quaresma – tempo de refletir sobre uma sexta-feira amarga na vida de Jesus. 

Quaresma sempre começa com a história da tentação de Jesus no deserto, isto para enfatizar que não existe atalho para ir adiante. Ou seja, é preciso passar por esse lugar desabitado, desprovido, triste. É preciso encarar as dificuldades, o sofrimento, a solidão, a cruz. 

Não podemos esquecer que só existe verão, férias, praia, viagens, diversão, descanso, porque existe trabalho, estresse, preocupação, cansaço. 

Muitas vezes queremos férias sem trabalho, final de semana sem segunda-feira, início de ano sem março, Domingo de Páscoa sem Sexta-feira Santa. Muitas vezes queremos bênçãos sem a cruz. 

“Quem quiser me seguir, tome a sua cruz, esteja pronto para morrer como eu vou morrer, e só depois venha comigo”, lembrou Jesus aos seus discípulos que esperavam uma vida mansa e tranquila ao lado do Mestre. 

Mesmo quando não caímos na conversa da teologia da prosperidade que promete mundos e fundos, somos tentados pelo Diabo em transformar pedras em pães sem pegar na massa…Todo o cuidado é pouco nesta terra onde Satanás tem poder para nos conduzir por caminhos sem a cruz. 

Neste primeiro culto de Quaresma, o Evangelho nos indica o JEITO para ENCARAR o mês de março, ou seja, as dificuldades, com força, ânimo e coragem. O caminho, além de ser o próprio Jesus, é também a tática que o Salvador usou na guerra espiritual contra Satanás.

Mas, o que está em jogo nesta batalha entre Jesus e Satanás? O que está em jogo é a nossa alma, nossa vida eterna, nossa salvação.

Para nos derrotar, Satanás usa uma tática muito parecida com o que acontece hoje, por exemplo, na guerra terrena da internet. E que agora fica ainda mais complicado com a inteligência artificial. Os golpistas que usam as ferramentas da internet agem de maneira que ninguém os possa perceber. Se infiltram, se disfarçam, se escondem. Se transformam, inclusive, em alguém que conhecemos, nosso amigo, parente. Satanás segue esta tática. Ele trabalha escondido. Jesus mesmo disse, certa vez, que o Diabo se veste como um anjo da luz. E assim, sem as pessoas perceberem, ele engana, e pior, tira a vida eterna das pessoas.

As leituras bíblicas deste culto têm o intuito de nos preparar contra as ciladas do pai da mentira. Por exemplo, a história de Abraão. É muito difícil entender como Deus pode fazer isto com Abraão, de colocá-lo numa prova tão horrível: pedir para ele sacrificar o seu filho Isaque. Nós conhecemos o final da história, mas, será que não tinha outro jeito para provar a fé de Abraão?

É complicado entender o jeito de Deus agir. Por que ele permite que o Diabo tenha poder neste mundo? Por que Deus não acaba de vez com ele?

Nós também já sabemos o final desta história, um dia Satanás será completamente derrotado. Mas, enquanto “estamos levando Isaque para ser sacrificado”, enquanto estamos sofrendo derrotas nas inúmeras batalhas contra este anjo do mal, somos tentados a acreditar nos poderes que Satanás não tem, e deixar de acreditar nos poderes que Deus tem.

Por isto as palavras de Tiago: “Feliz é aquele que nas aflições continua fiel! Porque, depois de sair aprovado dessas aflições, receberá como prêmio a vida que Deus promete aos que o amam. Quando alguém for tentado, não diga: “Esta tentação vem de Deus.” Pois Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo não tenta ninguém. Mas as pessoas são tentadas quando são atraídas e enganadas pelos seus próprios maus desejos.” (Tiago 1.12-14)

“As pessoas são tentadas quando são atraídas e enganadas pelos seus próprios maus desejos”

É aqui que Satanás tem o seu poder, de nos atrair e nos enganar como os nossos próprios desejos.

O relato da tentação de Jesus nos ajuda a entender a maneira como Satanás usa este inimigo que está dentro de cada um de nós, e que, na verdade, somos nós mesmos.

O evangelho de Marcos não narra os fatos da tentação de Jesus pelo Diabo, mas Mateus e Lucas narram. E assim, conhecemos a tática de Satanás nas suas investidas também contra nós, filhos e filhas de Deus.

Nós podemos observar que nas duas primeiras tentações existe uma conexão pelo contraste, uma ligação pela diferença.

Na primeira tentação Satanás mandou Jesus transformar pedras em pão. Fazia 40 dias que Jesus não comia. Aqui o Diabo tentou Jesus para uma falta de confiança em Deus. Era como se o Diabo estivesse dizendo:

Veja, Deus te esqueceu, te deixou sozinho aqui neste deserto. É melhor tomar as rédeas, é melhor seguir o teu próprio caminho. Deixa o teu Pai de lado e segue o teu rumo…

Na segunda tentação, a tática do Diabo é pelo caminho inverso, isto é, no abuso, no excesso de confiança em Deus.

Satanás levou Jesus para o lugar mais alto, e disse: jogue-se para baixo, pois a Bíblia diz que os anjos cuidarão de ti. (Satanás usou aqui, inclusive, a Bíblia o Salmo 91). Vale aqui observar este detalhe. Os seguidores do Diabo usam a Bíblia. Por isto, quando hoje navegamos pela internet, e quando em cada esquina tem uma igreja, todo o cuidado é pouco com aquele pastor que fala em nome de Deus. Pode ser o Diabo.

Em todo o caso, é desta forma que o Diabo tenta os filhos de Deus. Ou pela falta de confiança, ou pelo excesso de confiança. E os elementos são os mesmos. No caso do “pão” – é o elemento material, físico, as coisas terrenas. Por isto aquela advertência de Jesus, de que as riquezas deste mundo são um grande obstáculo para o céu. 

A resposta de Jesus a Satanás deve ser a nossa resposta hoje, quando somos tentados a desconfiar de Deus. Jesus disse a Satanás: “O ser humano não vive só de pão, mas vive de tudo o que Deus diz” – vive da Palavra de Deus.

Vejam, Jesus não diz aqui que o pão é desnecessário. O que ele diz é que o pão não é suficiente. O pão não basta, ele não supre tudo, ele não salva. É necessário também o Pão da Vida.

Nós temos um corpo e temos uma alma. Os dois são importantes, tanto que, na ressurreição, haverá novamente corpo e alma.

Portanto, se neste caso, transformar pedra em pão é a falta de confiança no amor e na providência de Deus, atirar-se para baixo na confiança de que Deus vai amparar é usar a fé de uma maneira equivocada. Por isto as palavras de Jesus ao Diabo: não ponha à prova o Senhor, seu Deus.

– Como fazemos isto hoje?

Fazemos isto quando usamos a Palavra de Deus, a igreja, as coisas de Deus, para algum propósito egoísta, mal-intencionado, com o objetivo de exaltar-se a si mesmo. 

Esta enganação de Satanás também pode acontecer em nome da fé cristã. Cristãos, pastores, líderes de igreja, já caíram na armadilha “de que Deus está do seu lado e nada poderá os derrubar”. Tempos atrás um homem entrou na jaula de um leão dizendo que se Daniel entrou na cova dos leões, conforme está na Bíblia, ele também podia entrar. Este homem foi devorado pelos leões.

Nós temos que tomar todo o cuidado com esta tática de Satanás.

O que está por trás de nossa confiança?

O que nos motiva, o que nos impulsiona?

Onde está alicerçada a nossa confiança? Nas promessas de Deus ou na nossa vontade (que pode ser a vontade do Diabo)?

Na terceira tentação, a gente fica com a impressão de que Satanás fica desesperado. O que se percebe MESMO é que Satanás MOSTROU bem as suas garras, os seus dentes, mostrou o que ele realmente queria alcançar em todas as tentações.

Apontando para todos os reinados do mundo e suas riquezas, o Diabo fez um convite a Jesus:

– Eu lhe darei tudo isso se você se ajoelhar e me adorar.

“Eu lhe darei tudo isso”? Mas, de quem é “tudo isto”? Como é que o Diabo vai dar para Jesus algo que não é dele, aquilo que é do próprio Jesus?

O Diabo é o pai da mentira, é ladrão, é o chefe de todos os que fazem falcatruas.

Como aconteceu nas duas tentações anteriores, Jesus também venceu esta terceira. Venceu porque conforme a profecia, ele tinha sido escolhido para esmagar a cabeça da serpente.  

Por isto, Jesus não podia apenas multiplicar os pães, encher a barriga das pessoas, curar as suas doenças, ressuscitar os mortos.

Ele precisava carregar a cruz e morrer nela.

Em Apocalipse lemos “que o Diabo desceu até vocês e ele está muito furioso porque sabe que tem somente um pouco mais de tempo para agir” (Apocalipse 12.12). 

A gente sabe muito bem o que faz uma pessoa quando está terrivelmente cheia de ódio. É o que Satanás sente, e por isto ele não respeita ninguém. Se não respeitou nem o Filho de Deus, então o que dirá de nós? 

Da mesma forma, o Diabo não respeita nem lugar nem tempo: invade nosso lar semeando o joio da desunião. Invade a própria igreja, tirando as pessoas da comunhão. 

“As Escrituras Sagradas afirmam”. Foi isto que Jesus disse para Satanás. É isto que podemos dizer ainda hoje quando somos tentados. 

Estimados irmãos, Jesus venceu Satanás no deserto e na cruz. E assim cumpriu a profecia ao “esmagar a cabeça da serpente” (Gênesis 3.15). Mas, a enorme capacidade do anjo maligno está descrita na parábola do Semeador: “O Diabo chega e tira a mensagem do coração delas para que não creiam e não sejam salvas” (Lucas 8.12). Qual a mensagem que o Diabo tira? É aquela que Jesus mesmo anunciou: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra mas tenha a vida eterna” (João 3.16). Por isto o nome “diabo”, acusador, pois ele tenta tirar o que nos pertence, o perdão. “Se alguém pecar”, diz a Bíblia, “temos Jesus Cristo, que faz o que é correto. Ele nos defende diante do Pai” (1 João 2.1). 

Pois neste mundo onde somos roubados de tantas coisas, o maior prejuízo é perder aquilo nos foi dado de presente através da vida, morte e ressurreição de Jesus. Amém. 

Mensagem do Pastor

Largar as redes e seguir Jesus

3º Domingo após Epifania  –  2024

Leia em sua bíblia: Salmos 62.5-12 | Jonas 3.1-5,10 | 1 Coríntios 7.29-35 | Marcos 1.14-20

Os textos bíblicos de hoje nos dizem que quando Deus nos chama para a verdadeira vida, é preciso deixar tudo de lado as coisas secundárias e seguir adiante para aquilo que é mais importante.  

        Escreve o evangelista Marcos que, após o convite de Jesus para segui-lo, os irmãos Simão e André “largaram logo as redes e foram com Jesus” (Marcos 1.18). Mais adiante, o texto diz que os irmãos Tiago e João deixaram o pai, os empregados, o barco e foram com Jesus.

        Mas, fica a pergunta: Como estes pescadores largaram tão depressa as suas redes, o barco, isto é, o seu emprego? Eles deveriam ter família para sustentar.  Não foi uma irresponsabilidade, deixar emprego, posses, família? 

        E Jesus? Como pode fazer um pedido destes?

        Na verdade, a falta de detalhes na narrativa do Evangelho de Marcos pode criar a impressão de que este chamado de Jesus tenha acontecido no primeiro encontro dele com estes pescadores. E que eles agiram de maneira inapropriada, irresponsável.

        Mas, não foi bem assim!

        É importante lembrar que o evangelista Marcos é bem econômico nos detalhes, ele vai direto no que interessa.

        Com certeza, os quatro pescadores tiveram vários contatos com Jesus, houve muita conversa, reflexão, amadurecimento, para chegarem a esta decisão de aceitar o chamado de Jesus.

        E outra coisa. Jesus, certamente, não entregaria a tarefa de pregar o Evangelho para pessoas que não cumprem com seus compromissos familiares e profissionais. Pessoas irresponsáveis no trabalho e na família são pessoas irresponsáveis também na igreja.

O apóstolo Paulo, na primeira carta a Timóteo, até lembra que quem deseja ser pastor e pregar o Evangelho, deve saber cuidar bem da sua própria família para também saber cuidar da Igreja (1 Tm 3.5).

        Ou seja, a mensagem do Evangelho que anuncia o perdão dos pecados não dá autorização para cometer o pecado da irresponsabilidade.

        Desta forma, é preciso entender o sentido das palavras “largaram logo as redes e foram com Jesus”.

        “Redes, barco” hoje representam os valiosos instrumentos para uma profissão, coisas necessárias para o sustento terreno.

        Assim, quando o texto bíblico diz que eles “largaram”, certamente foram preparados e capacitados por Deus para abandonar os seus compromissos profissionais e familiares, sem cometer injustiças.

        Deus não chama ninguém para assumir uma tarefa especial em seu reino, sem antes preparar o terreno e a pessoa. E quando Deus chama, negar o convite – isto sim, é uma irresponsabilidade.

        Foi o caso de Jonas – o profeta fujão.

        Deus, no entanto, foi atrás de Jonas, e fez com que ele sentisse na pele as consequências de um discípulo fujão. Jogado no mar e engolido por um grande peixe, Deus o colocou bem no meio da responsabilidade. Já arrependido, se tornou um valioso instrumento na missão de Deus.

        TODOS nós, pastores e membros da igreja, recebemos um chamado de Deus. Cada um com suas capacidades e dons.

        Mas, para aceitarmos este chamado, ainda hoje é necessário LARGAR AS REDES.

        No caso do chamado para ser pastor, LARGAR AS REDES significa não ter outra função a não ser o MINISTÉRIO PASTORAL. Até existem pastores com um chamado diferenciado, de tempo parcial, onde têm duas funções, pastor de uma igreja e a uma profissão secular. Mas, a grande maioria dos pastores da IELB tem um chamado de tempo integral. Portanto, precisam largar as redes literalmente, ou seja, não ter nenhuma atividade de ocupação profissional além de ser pastor.

        Mas, e os membros leigos, no caso, vocês, congregação? O que vocês precisam largar, deixar de lado, para o chamado ao SACERDÓRCIO DE TODOS OS CRENTES, isto é, o chamado que todo o cristão recebe de Deus para ser testemunha da salvação?

        Na verdade, o que vocês leigos, homens e mulheres, precisam deixar de lado para o chamado que receberam, é o mesmo que nós pastores precisamos deixar de lado.

        E podemos começar usando o exemplo da história do profeta JONAS. Ele precisava largar a falta de amor, o ódio, o preconceito, sentimentos que tinha contra os habitantes de Nínive.

Humanamente pensando, ele tinha toda a razão, afinal, os ninivitas eram os inimigos “número 1” do povo de Israel. 

        Outra coisa que todos nós precisamos deixar de lado, está relatado na Epístola do culto.     

Em 1 Corintios 7.29-35, o apóstolo Paulo menciona o que dificulta o empenho para sermos cristãos fiéis ao nosso chamado: as preocupações com as coisas deste mundo.

                “Não nos resta muito tempo”, diz Paulo. Ele está falando da urgência em anunciar o Evangelho.

        Por isto, diz Paulo, os casados devem viver como se não tivessem casado, os que choram como se não estivessem chorando, os que estão rindo como se não estivessem rindo, os que compram como se não fosse deles aquilo que compram, os que tratam das coisas deste mundo, como que não estivessem ocupados com elas. Eu quero livrá-los de preocupações…

        Se a gente não entender o sentido disto, pode-se outra vez pensar em irresponsabilidade. Ou seja, como uma pessoa casada pode viver como se não estivesse casada? O que Paulo fala aqui não é nenhum convite para a irresponsabilidade, mas, sim, ele fala sobre prioridade e confiança em Deus.

        Ora, todos sabemos o quanto as coisas deste mundo nos prendem em preocupações. E como as preocupações atrapalham a nossa vida cristã.

Por isto, então, o remédio, conforme o Salmo de hoje: Confie sempre em Deus. Abra o coração para Deus, pois ele é o nosso refúgio (Salmo 62.8)

        Confiança é fé, tanto que Paulo lembra na epístola: Não estou querendo obrigar ninguém a nada. Pelo contrário, quero que façam o que é direito e certo e que se entreguem ao serviço do Senhor com toda a dedicação (1 Co 7.35).

        Não é nada fácil este “largar as redes”. Isto exige sacrifícios, custos, trabalho. Mas é preciso.

        Não foi de uma hora para outra que aqueles pescadores disseram:

        – Sim, Jesus, nós queremos te seguir!

        Mas daí entra então a ação de Deus. A mesma ajuda que aconteceu com aqueles quatro pescadores de peixes.

        E qual foi esta ação? Foi a presença de Jesus no meio deles.       O Salmo de hoje destaca isto. No versículo 11 lemos: Mais de uma vez tenho ouvido Deus dizer que o poder é dele, e o amor também.

        Ora, se Deus ainda hoje chama a largar e seguir, ainda hoje ele capacita. PORQUE O PODER É DELE E O AMOR TAMBÉM.

Pastor Marcos Schmidt

Mensagem do Pastor

Deus invade a nossa privacidade e nos chama!

Leia em sua Bíblia: Sl 139.1-10   1 Sm 3.1-10    1 Co 6.12-20     Jo  1.43-51

Ninguém gosta de ser vigiado, de ter a sua privacidade invadida. Tanto que é um direito que cada um tem, a privacidade. Existem até leis para isto, especialmente hoje no mundo da tecnologia, das câmeras de vigilância em todos os lugares. A internet que veio para nos ajudar em muitas coisas, por outro lado é um problema muito sério quando o assunto é privacidade. Por isto, todo o cuidado é pouco quando pessoas mal-intencionadas podem prejudicar a vida dos outros por estes meios eletrônicos.

Muito antes destas ferramentas modernas, Davi diz para Deus no Salmo 139: “Tu me vês quando estou trabalhando e quando estou descansando; tu sabes tudo o que eu faço”. Só que tem um detalhe, Davi não diz isto reclamando.

Nunca deveríamos ficar incomodados com a constante vigilância de Deus em nossa vida. É a nossa segurança, nossa salvação, nossa vida.

Mas, se notaram no Evangelho de hoje, Jesus diz algo bem interessante quando o assunto é privacidade. Jesus promete que nós também, um dia, vamos invadir a privacidade de Deus.

Foi isto que ele disse para Filipe e Natanael: “Eu afirmo que vocês vão ver o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem” (Jo 1.51)

        Somos obrigados a confessar que é uma promessa muito estranha.

        – O que será isto: ver o céu aberto?

        Entendemos que Jesus não fala do céu das estrelas, do espaço, no qual se movem a terra e os planetas. Muito menos do buraco da camada de ozônio, tão perigosa e que pode provocar câncer de pele.

        Ele fala do céu invisível, do Reino de Deus, onde está Deus, onde estão os anjos que obedecem a Deus, este lugar onde Jesus está assentado à direita de Deus Pai.

        “Vocês vão ver o céu aberto”.

 É uma promessa feita por Deus. E cremos que as promessas de Deus sempre se cumprem.

        Mas por natureza somos pessoas desconfiadas. Temos dificuldades em acreditar naquilo que está longe de nossos olhos, fora de nossa realidade. Para acreditar, precisamos de provas, de sinais.

        Deus bem que poderia nos dar uma visão de anjos subindo e descendo do céu, ou coisa parecida. Assim seria fácil crer que este céu da Bíblia realmente existe, e que um dia veremos Deus face a face.

        É, mas não é assim que as coisas funcionam no reino de Deus. Aqueles milagres, aquelas coisas espantosas descritas nas páginas da Bíblia, hoje não acontecem mais. Precisamos simplesmente crer na sua Palavra.

        Mas o problema não fica só por aí. Se precisássemos apenas crer e as coisas ficassem assim mesmo, até que não seria tão complicado. Mas agora vem o difícil:

– Precisamos também falar para os outros deste céu aberto. 

        Esta é a tarefa, a missão que Deus entregou para cada um de nós, que tem parte neste céu.         Deus poderia ter entregado este trabalho para os seu anjos, ou poderia ele mesmo, lá de cima, dizer a todos, sem intermediários, sem porta-vozes.

        Mas ele nos colocou no meio desta história. Ele nos chamou, nos convocou.

        É isto que as leituras bíblicas deste culto queremnos falar: Deus chama, convoca a cada um de nós para fazer com que a realidade do céu chegue até as pessoas.

        No entanto, para podermos convencer os outros a respeito do céu, precisamos antes ver o céu aberto, precisamos crer nesta promessa de Jesus: vocês verão o céu aberto.

Para compreender o que significa este “ver o céu aberto”,  convido vocês para observar alguns detalhes nas histórias bíblicas deste culto:

Começando com Samuel, este personagem do Antigo Testamento

        Uma história muito conhecida por nós desde o tempo de Escola Bíblica:

        Num tempo que não tinha tratamento médico para se ter filho, uma mulher estéril, chamada Ana, colocou suas esperanças em Deus. E fez uma promessa: se tivesse um filho, daria este filho a Deus para servir no Templo.

        E ela teve um filho: Samuel (nome que significa: dado por Deus). Samuel nasceu de um milagre. Assim como muitos pais colocam seus filhos numa creche, Ana levou seu filho para o Templo e o entregou para viver junto com o profeta Eli.

 Pois, foi lá no templo que o menino Samuel teve uma experiência do céu aberto: Deus fala com ele e lhe confirma o chamado, a convocação para ser sacerdote, profeta e juiz do povo de Israel.

        Podemos tirar desta história de Samuel algumas coisas importantes quando alguém é chamado para o serviço no reino de Deus.

        Primeiro:  a vida é um milagre e um presente de Deus. Aceitar o chamado de Deus começa com o reconhecimento deste milagre e deste presente.

         Por isto, antes de aceitar o chamado de Deus, é preciso reconhecer que por trás de tudo está Deus, e que a nossa vida e as coisas que acontecem em nossa vida não são obras do acaso.

        2º) Outra coisa que a história de Samuel nos mostra: para aceitar o chamado de Deus, é preciso não confundir a voz de Deus.

        Nas duas primeiras vezes que Deus chamou Samuel, o menino pensou que era Eli que estava o chamando e Eli pensou que o menino estava sonhando. Somente na terceira vez Eli se deu conta que não era um sonho e Samuel percebeu que era a voz de Deus.

        Pois é preciso tomar cuidado quando somos chamados. Discernir a voz de Deus no meio da noite deste mundo, no meio de tantas vozes que também nos chamam, não é uma coisa muito fácil.

        Aliás, foi Jesus quem disse que as ovelhas conhecem a voz do pastor. Mas, o grande perigo, é a sonolência de nossa fé, as tentações do mundo e de Satanás, a surdez espiritual, enfim, tantas coisas que estão aí para atrapalhar e  confundir a voz do Bom Pastor.

        O grande consolo nesta história é que Deus não desiste na primeira e nem na segunda vez. Ele tem paciência, e faz de tudo para que a sua voz seja compreendida.

        3º) Também algo importante neste chamado de Deus está na resposta de Samuel: “Fala, pois o teu servo está escutando”.

        Estas palavras me trazem à memória o tempo da minha infância. Na igreja de Rolante, que não existe mais, bem em cima do teto no altar, estavam escritas estas palavras “Fala, Senhor, porque o teu servo ouve”. Acho que foram as primeiras letras que aprendi, depois que minha mãe explicou para mim esta história de Samuel. Mais tarde, Deus também me chamou Marcos, Marcos, quando entrei no Seminário Concórdia.

        Em todo o caso, todos nós, leigos e pastores, um dia fomos chamados pelo nome na pia batismal. E nós ouvimos pelo presente do Espírito Santo, que colocou em nós a fé.

        Hoje, deixar Deus falar e escutar a sua voz na condição de servo, isto a gente faz sempre quando a Palavra de Deus vem a nós.Foi isto que Samuel fez, e por isto se tornou um valioso instrumento nas mãos de Deus num tempo quando o povo estava afastado de Deus e não queria ouvir o que Ele tinha a dizer.

        Samuel só pode ser Samuel, trazendo muitas bênçãos de Deus sobre o povo de Israel, porque continuou escutando o que Deus lhe falava.

Pois foi assim que Samuel pode ver o céu aberto:

  • Ele reconheceu que sua vida pertencia a Deus;
  • Ele não mais confundiu, mas compreendeu a voz de Deus
  • Ele prestou atenção a voz de Deus

A história de Filipe e Natanael no Evangelho é parecida com a de Samuel, mas com outros detalhes importantes.

        E o que mais se destaca na história destes dois discípulos de Jesus é o fato de que não foram eles que decidiram procurar Jesus.

        Jesus foi atrás deles e os escolheu. E Natanael ficou muito surpreso, tanto que perguntou a Jesus:

        “De onde o senhor me conhece?”

        Foi uma pergunta boba, ignorante! Natanael ainda não sabia que aquele com quem conversava é aquele que sabe tudo, aquele que vê tudo.

        Quando Filipe disse para Natanael: “Achamos aquele de quem Moisés escreveu no livro da Lei e sobre quem os profetas também escreveram”, Natanael duvidou achando que o Messias não poderia ser alguém de Nazaré, um vila humilde e pobre.

        Natanael só acreditou quando Jesus disse para ele: “Antes de Filipe o chamar, eu já tinha visto você sentado debaixo da figueira”.

        Natanael veio para ver Jesus e descobriu que já tinha sido visto por ele. 

         Nós não sabemos o que este homem fazia sentado debaixo de uma figueira. Mas ele estava sentado, ele estava parado, inerte, sem fazer nada. Quem sabe pensando na vida, nos problemas, deprimido, sem perspectiva.

        Sentado debaixo de uma figueira pode ser até uma coisa muito boa, especialmente num dia muito quente.

        Mas a vida não pode ficar assim quando Deus tem planos muito importantes dentro da sua igreja.

        Quando Deus nos chama para mostrar  aos outros de que existe um céu aberto,  a primeira coisa que ela faz acontecer em nossa vida é nos tirar de uma vida solitária, de uma vida sentada, sem frutos para o seu reino.

        Deus nos dá alegria, ânimo, vontade de viver, de lutar, de amar, de fazer o bem, enfim, de testemunhar.

        E que bom, que conforto saber que quando estamos lá em nosso canto, meio acabrunhados, desanimados, temos um Deus que nos vê, que se importa conosco.

        Natanael ficou surpreso ao descobrir que Jesus sabia tudo a respeito dele. Sua surpresa foi acompanhada pelas palavras: “Mestre, o senhor é o Filho de Deus! O senhor é o Rei de Israel”

        E foi neste momento de fé e de confissão que Jesus lhe disse: “Você crê em mim só porque eu disse que o tinha visto debaixo da figueira? Pois você verá coisas maiores do que esta. Eu afirmo que vocês vão ver o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”.

        Será que é possível ter a mesma experiência de Filipe, Natanael e Samuel?

        Pois eu lhe digo que sim.

        Se você for um Natanael que desconfia, que tem certas restrições, então gostaria de ser um Filipe para você e lhe dizer: Venha e veja.

        Mas ir para onde e ver o quê?

        Venha aonde Jesus está!

        E onde ele está?

        Ele está no meio daqueles que estão reunidos em nome dele… Onde a palavra de Deus é pregada e ouvida. Onde o Batismo e a Santa Ceia são oferecidos…Onde um cristão dá seu testemunho.

        E assim você estão descobrirá esta surpreendente verdade:

  • o senhor Jesus lhe conhece!
  • Ele sabe tudo que lhe falta!
  • Ele tem as repostas parta todas as tuas dúvidas.

E se você for um Filipe ou um Samuel, isto é, alguém

que já conhece a realidade do céu aberto, então passe adiante o que você viu e ouviu.

        Existem muitos iguais a Natanael que precisam do convite:

Venha e veja!

        Venha comigo ao lugar onde o céu está aberto!

        Oração: Senhor e Salvador. Agradecemos te por tua palavra. Reconhecemos que sobre nós o céu permanece fechado, a não ser que tu venhas até nós com teu perdão e amor. Louvado sejas porque abriste o céu para nós. Deixa-nos ser como Natanael a fim de que possamos vencer nossas dúvidas.  Deixa-nos ser como Filipe e Samuel que ouviram a tua voz e entregaram a vida para o serviço e o testemunho. Que tenhamos coragem, alegria e vontade no testemunho e no trabalho no teu reino. Dá-nos sempre a visão do céu aberto, para não esquecermos neste mundo agitado e cheio de tentações, de que a vida está em ti e vem de ti. E permita, enfim que um dia estejamos contigo neste céu aberto com todos aqueles a quem testemunhamos. Por Jesus Cristo. Amém.

Pastor Marcos Schmidt

Mensagem do Pastor

É hora de levantar!

Pastor Carlos Kracke

Em alguns momentos esta frase é “dita” pelo seu despertador. Outras vezes, pela luminosidade que invade seu quarto obrigando-o a levantar mesmo que outras “vozes” digam: “continue deitado!”

O levantar é uma atitude que em muitos momentos é difícil de fazer, as vezes pelo cansaço que ainda toma conta do seu corpo e mente, as vezes por não encontrarmos razões plausíveis para isso.

E olha que de vez em quando só precisamos literalmente levantar, pois o pulsar da vida já está em nossa cama, nosso quarto ou nossa casa. É a família que aguarda com ansiedade seus movimentos, seu despertar para a vida.

Confesso que, para mim, muitas vezes, levantar também é difícil. Por isso fiz questão de pendurar esse quadro ao lado da minha cama.(foto)

Trata-se de uns dos presentes mais significativos que já recebi. O quadro que contém o nome e as digitais de todos os alunos e colaboradores do colégio no qual fui diretor. Um presente recebido no ano de 2018.

Uma linda lembrança que evidencia uma ótima razão para poder levantar todos os dias.

Levantar por alguém, levantar para influenciar a vida de alguém.

Levantar para ajudar alguém. Levantar para rir com alguém. Levantar para consolar alguém.

Quando nossos propósitos se expandem, quando nossos motivos para levantarmos podem ser substituídos por Pedro, Guilherme, Lara, Asaf, Bianca, Milena, Felipe e tantos outros , sempre ouviremos uma voz que pedirá nossa ajuda, nossa presença e nossa vida.

Passado o tempo, hoje, novas oportunidades surgiram na minha vida. Outros nomes se juntaram a esta lista de motivos para levantar.

E assim sigo para este novo ano, primeiramente agradecido, pois muitos dos que me chamaram, puderam ser consolados, amparados com a mensagem de paz que O Bom Pastor Jesus nos dá para compartilhar.

E neste novo ano, convido você também a levantar e seguir e, quando cansar, que possamos sempre ouvir a voz de Jesus que diz: ”— Venham a mim, todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso.” Mt. ‭11‬.28‬

Um feliz e abençoado 2024.

Levante-se. Pois alguém chama por você!

Carlos Kracke

Pastor da Congregação E. Luterana “São Paulo “ de Novo Hamburgo.

Mensagem do Pastor

Mensagem da Semana: Carregar Jesus nos braços para sermos carregados por Jesus!

1º Domingo após Natal – Leia em sua bíblia: Salmos 111, Isaías 61.10 – 62.3, Gálatas 4.4-7, Lucas 2.22-40.

Infelizmente, no lugar de trazerem alegrias e bênçãos, as festas do Natal e do Fim de Ano se transformaram em desgraças para muitas pessoas. Após a festa do Natal, ouvimos as notícias tristes de acidentes no trânsito, brigas e assassinatos em família, pessoas mutiladas com fogos de artifício, pessoas vítimas de afogamento nos rios e no mar. E agora, com a virada do Ano e a festa do Réveillon, não vai ser diferente.

A maior de todas as desgraças, no entanto, quando a humanidade festejou o Natal, e quando um novo ano inicia marcando o novo ano domine, isto é, o ano no Senhor Jesus, que nasceu há 2024 anos – a maior de todas as desgraças no meio destas festas já tinha sido anunciada por um homem chamado Simeão:  “Este menino foi escolhido por Deus, tanto para a destruição como para a salvação de muita gente em Israel” (Lucas 2.34).

Simeão com Jesus no colo apenas afirmou o que Deus já tinha dito uns setecentos anos antes pelo profeta Isaías: “Eu serei um templo para abrigar vocês; serei também uma pedra e uma rocha … que fará que tropecem e caiam” (Isaías 8.14).

        Simeão não queria estragar a alegria do casal José e Maria, muito menos tinha a intenção de estragar as futuras festas de todos nós. Ele apenas estava cumprindo o seu papel “inspirado pelo Espírito Santo”.  Simeão diz uma verdade que muitos hoje não querem ouvir.

        Jesus estava com 40 dias de idade, e para cumprir uma lei religiosa – conforme explica o próprio evangelista Lucas, que todo o primogênito, o filho mais velho – Jesus foi, então, consagrado. Isto está prescrito em Êxodo 13.2, e explicado em Números 3.13, onde Deus diz: “Porque todo o primogênito é meu”.

Na verdade, isto tinha um simbolismo. Quando um pai e uma mãe israelitas levavam seu filho mais velho para ser consagrado a Deus, isto apontava para o Filho Unigênito de Deus, que seria consagrado, separado, para ser o Salvador do Mundo.

E agora chegava a vez do próprio Jesus, nos braços de Maria e José. Alguém pode perguntar: Mas porque Jesus precisou se sujeitar às leis? Ele era santo, perfeito, não precisava ser consagrado?

Vocês ouviram a leitura de Gálatas, onde o apóstolo explica: “Quando chegou o tempo certo, Deus enviou o seu próprio Filho, que veio como filho de mãe humana e viveu debaixo da lei para libertar os que estavam debaixo da lei, a fim de que nós pudéssemos nos tornar filhos de Deus” (Gl 4.4,5).

        Vejam, isto tem algo muito significativo para nós, cristãos, quando ouvimos este texto bíblico na vida do ano. Todos nós queremos um novo ano, cheio de alegrias e bênçãos. É isto que dizemos em nossos votos. Não queremos desgraças, infelicidade, problemas. Queremos alegrias, prosperidade, uma vida melhor. Só que no meio de tudo isto, podemos esquecer de um detalhe… Deste detalhe de Jesus nos braços de Maria e José, sendo separado, consagrado, para a bênção se torne uma realidade em nossa vida.

        Ainda hoje, a benção, a verdadeira felicidade, depende de carregar Jesus nos braços. Geralmente a gente diz que Jesus nos carrega em seus braços. Mas, antes é preciso que Jesus seja carregado, separado, consagrado. Vou explicar melhor isto…

Para que nós pudéssemos ser resgatados da maldição da lei e nos tornar filhos de Deus, Jesus precisou sofrer esta maldição. Começando com estas regras, leis, normas religiosas. E foi tanta desgraça sobre Jesus, que lá no alto da cruz, Jesus grita: Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste? Jesus sempre chamava Deus de Pai, mas, com os nossos pecados sobre ele, Jesus deixou de ser filho de Deus, para que nós nos tornássemos filhos de Deus.

Mas, agora tem este detalhe, precisamos pegar Jesus em nossos braços. Precisamos fazer o que fez Simeão. Interessante que Simeão aparece na história de Natal como um meteoro. Surge e logo desaparece. Mas, sua história é cheia de importância para a nossa fé. Diz o evangelho que o Espírito Santo lhe havia prometido que, antes de morrer, ele viria o Messias com seus próprios olhos. Guiado pelo Espírito Santo, Simeão foi ao Templo, e lá ele viu o humilde casal, José e Maria. Deve ter sido muito emocionante, uma emoção que palavras não podem descrever, o que este homem sentiu naquele momento. Ele não se conteve. Pegou Jesus em seus braços, e louvou a Deus com um hino que contém as palavras mais bonitas da Bíblia. Aliás, estas palavras são parte da liturgia tradicional, usada depois da participação da Santa Ceia. Na NTLH, lemos:

— Agora, Senhor, cumpriste a promessa que fizeste e já podes deixar este teu servo partir em paz. Pois eu já vi com os meus próprios olhos a tua salvação, que preparaste na presença de todos os povos: uma luz para mostrar o teu caminho a todos os que não são judeus e para dar glória ao teu povo de Israel.

Vejam, carregar Jesus nos braços é dizer: “Senhor, agora eu posso partir em paz. Agora, com Jesus na minha vida, eu posso entrar em 2024 tranquilo. Porque Jesus é a luz para guiar o meu caminho”.

Este é o detalhe para eu ser abençoado, eu e a minha família. Jesus nos meus braços. Não nos braços dos outros, mas nos meus braços. Estou falando de fé, de ter a certeza de que posso partir em paz, e ser recebido por Deus como o meu Pai.

Mas, outro detalhe. Diz o Evangelho que Simeão foi guiado pelo Espírito Santo. O texto insiste nisto para nos fazer lembrar que a fé é um presente de Deus. Outro fato importante, Simeão só foi guiado pelo Espírito Santo porque ele esperava a Salvação, isto é, ele conhecia as profecias, ele lia e meditava na Palavra de Deus.

Esta é a única forma de nós esperarmos a Salvação, ou seja, através da Palavra de Deus – esta palavra presente em nossa vida através da igreja, onde fomos batizados, instruídos, edificados na fé, onde podemos receber a santa ceia, e depois dizer com Simeão, agora podes despedir o teu servo segundo a tua palavra...

Mas, também podemos fazer o contrário, podemos não esperar a Salvação, podemos esperar outras coisas…

Aliás, o que eu espero para 2024?

Se eu não esperar a salvação, como fez Simeão, 2024 não será um ano abençoado.

É triste a vida das pessoas que rejeitam Jesus. Esta profecia de Simeão, de que Jesus seria pedra de salvação, e ao mesmo tempo, pedra de tropeço, é a triste contrariedade do Natal.

        Sobre esta verdade, o meu professor no Seminário, Otto Goerl, escreveu um comentário, que nos faz pensar com seriedade: “Jesus está no mundo. Está nos braços de Simeão. Está no caminho de todo homem. Não pode ser ignorado. Não pode ser contornado… Qual rocha no meio da corrente que faz as águas se partirem – correm à direita, correm à esquerda – assim Jesus divide a humanidade, … para Deus só existem justos ou injustos, crentes ou descrentes, os da direita e os da esquerda no juízo final, enfim, os que encontram em Jesus o seu levantamento ou a sua ruína, benção ou maldição”.

        Infelizmente é assim mesmo. Em vez de bênçãos, Natal também traz maldição. Por isto então este alerta bíblico.

Se os meios de comunicação promovem campanhas contra o perigo no trânsito, dos afogamentos, e contra tantos outros perigos nesta época do ano, Deus em sua Palavra coloca várias placas de sinalização, dizendo: CUIDADO.

        Certa história conta que um homem foi chamado à praia para pintar um barco. Enquanto pintava, percebeu que havia um pequeno buraco e decidiu consertar o barco. Quando terminou a pintura, recebeu o pagamento e foi embora.
        No dia seguinte, o proprietário do barco procurou o pintor e presenteou-o com uma quantia. O pintor ficou surpreso:
   – O senhor já me pagou pela pintura do barco! – disse ele.
   – Mas isto não é pelo trabalho da pintura. É por ter consertado o
barco, fechando o buraco.
   – Ah!, mas foi um serviço tão pequeno… É muito dinheiro por um trabalho tão insignificante!
   – Meu caro amigo, você não compreende. Deixe-me contar-lhe o que aconteceu. Quando pedi para que pintasse o barco, esqueci de mencionar o buraco no casco. Depois da tinta ter secado, meus filhos saíram com o barco para uma pescaria. Eu não estava em casa naquele momento. Quando voltei e notei que haviam saído com o barco, fiquei desesperado, pois lembrei-me que o barco tinha um furo. Imagine meu alívio e alegria quando os vi retornando sãos e
salvos. Então, examinei o barco e constatei que você o havia consertado! Percebe, agora, o que fez? Salvou a vida de meus filhos! Não tenho dinheiro suficiente para pagar a sua “pequena” boa ação.

A nossa vida muitas vezes já foi comparada com um barco. A vida é uma viagem cheia de aventuras e perigos. No entanto, não adianta nada termos um barco bonito, bem pintado, se ele estiver com um pequeno buraco.

Não adianta nada termos muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender, se permanecer em nossa vida os pequenos furos dos pecados, ausência de fé e perdão. A gente até pode dar seguir viagem. Mas vai chegar o momento em que as águas do mar da vida vão encher o barco e levá-lo ao fundo.

Se estamos aqui, na virada do ano, não há dúvida, foi graças ao amor de Deus em Cristo Jesus, que não só pintor a nossa vida com tantas bênçãos materiais, mas, sobretudo, consertou a nossa alma carregando ele mesmo os nossos pecados.

Dias atrás alguém me mandou uma mensagem que continha a pergunta: Onde está a fila para ver Jesus?” Tinha um vídeo de uma canção em inglês, e a canção fala de pessoas indo ao shopping e crianças na fila para ver o Papai Noel. Em certo momento, a canção pergunta: “Onde está a fila para ver Jesus?”

Pois, sabem de uma coisa, ainda bem que não precisamos entrar na fila para ver Jesus. Em qualquer momento, situação, podemos ir direto, sem fila, sem espera, e se sentar aos pés de Jesus para fazer o nosso pedido.

 Simeão fez este pedido, porque não só carregava Jesus em seus braços, mas também em seu coração. Vamos fazer a mesma coisa, guiado pelo Espírito Santo. Amém.

Pastor Marcos Schmidt

Mensagem do Pastor

VÉSPERA DE NATAL 2002 – Série “B”

Texto Bíblico: Jo 1.1-14.

Natal é um mistério!  Tentar entender este mistério é tentar o impossível. “Quem pode conhecer a mente do Senhor?” (1 Coríntios 2.16). 

Como Deus poderia tornar-se homem e nascer de uma virgem?

Como a eternidade de Deus poderia ser colocada dentro do tempo? 

Sim, Natal é um mistério! Mas um mistério revelado. Diz o evangelista que “a Palavra se tornou um ser humano e morou entre nós” (João 1.14).  Natal expõe Deus, torna conhecido seus planos, descreve e concretiza seu amor. 

“Antes de ser criado o mundo, aquele é a Palavra já existia. Ele estava com Deus e era Deus” (João 1.1). Jesus é a Palavra. Jesus é Deus e Deus é Jesus. Um grande mistério.

E “Ele veio para o seu próprio país, mas o seu povo não o recebeu” (João 1.11).  Um grande mistério rejeitado, descrido, descartado.

 “Alguns, porém, o receberam e creram nele, e ele lhes deu o direito de se tornarem filhos de Deus” (João 1.12).

        Quem sabe por ser o Natal esta coisa tão distante de nossa realidade humana, e ao mesmo tempo tão perto de cada um, que todos ficamos meio confusos nesta época do ano. Confusos em nossos sentimentos mais profundos,  confusos com esta mensagem de Deus jogada bem no meio de nossas contrariedades e frustrações.

Mas é exatamente aí que o Natal tem o seu efeito. Porque Natal só será Natal onde encontrar confusão. Ou como escreveu o teólogo Gottfried Menken: “O Senhor Jesus veio a uma humanidade em tão profunda miséria, que tinha se acostumado com a miséria e a desgraça, e se sentia feliz numa situação em que ninguém pode de fato ser feliz, a menos que não esteja certo da cabeça e no pleno uso de suas faculdades mentais”.

“A doutrina da Encarnação” sempre foi uma questão MUITO discutida, porque sempre houve céticos, descrentes, que duvidaram deste fato misterioso, de um Deus que se tornou um ser humano, de carne e osso, como nós.

Como em tantas outras doutrinas e assuntos na vida da igreja, temos observado que as pessoas não são convencidas sobre a verdade da Encarnação através do debate. É uma questão de se crer ou não. O Natal é uma questão de fé assim como todos os mistérios de Deus.

Por isto as vezes histórias podem ajudar (ser uma ponte) a levar as pessoas a crer. Isto porque uma história pode não só tocar a mente e o intelecto, mas também o coração e a alma de uma pessoa.

Assim, tem uma história muito bonita para nos ajudar a compreender a Encarnação de Cristo.

Tinha um certo rei  muito rico. O seu poder era conhecido em todo o mundo. Mas ele era muito infeliz, porque não possuía uma esposa. Sem uma rainha, o imenso palácio ficava vazio.

Um dia, enquanto cavalgava pelas ruas de uma pequena aldeia, viu uma moça camponesa muito bonita. O rei se apaixonou à primeira vista. Por isso, a quis mais que qualquer coisa que já tinha desejado.

O rei então começou a fazer planos para conquistar o amor dela. Ele pensou: eu vou preparar um decreto real e exigir que ela seja trazida a mim para se tornar a rainha de minha terra. Mas, pensando melhor, ele percebeu que, sendo ela uma súdita, se sentiria forçada a obedecer. Assim, ele nunca poderia estar certo de que tinha conquistado o amor dela.

Então, ele disse a si mesmo: “Eu vou chamá-la pessoalmente. Vestirei o meu melhor traje real, usarei meus anéis de diamante, minha espada prateada, minhas reluzentes botas pretas e minha túnica mais colorida. Farei com que caia aos meus pés e se torne minha noiva”. Mas, ponderando nestas coisas, chegou à conclusão que, se fizesse isso, nunca saberia se ela realmente tinha se casado com ele por amor ou por causa do poder e das riquezas que ele lhe poderia dar.

Então, ele decidiu vestir-se como um camponês, dirigir-se ao vilarejo, deixando, contudo, a sua carruagem fora de vista. Em disfarce, ele se aproximaria da casa dela. Mas, de alguma maneira a duplicidade deste plano não lhe agradou.

Afinal, ele decidiu o que fazer: Ele deixaria seu trono real. Ele iria para a aldeia e se tornaria um dos camponeses. Ele trabalharia e sofreria com eles. Ele se tornaria um camponês de fato.

E foi isto que ele fez. Assim conquistou a sua esposa.

Deus fez mais ou menos isto. Considere como ele poderia ganhar a humanidade. Ele poderia ter usado sua força, seu poder, sua autoridade. Mas ele queria mais do que a nossa obediência – ele queria o nosso coração. Por isso, Deus, em Cristo, se tornou um de nós. Ele se vestiu de carne humana para morar entre nós.

Em Jesus, Deus se encarnou – a Palavra se tornou carne e habitou entre nós.

O mesmo Deus que criou o universo, se humilhou, nascendo na forma de um bebê, em um estábulo, deitado em uma manjedoura e vivendo como um de nós, com todas as nossas limitações. Ele se privou de tudo, por amor de nós. Ele se tornou como um de nós, e veio viver entre nós, como a história do rei.

Hoje em dia existem grupos de apoio para quase tudo. Há grupos de apoio para: as viúvas e viúvos que lamentam a perda dos seus cônjuges, alcoólatras, mães solteiras, meninos de rua, drogados, e tantos outros.

Por que todos estes grupos de apoio são tão eficazes?

Bem, principalmente porque a única pessoa que pode realmente alcançar um alcoólatra é outro alcoólatra que venceu o problema; eles conhecem suas dificuldades por experiência própria, e podem oferecer o apoio que outros não podem dar.

Assim foi com Jesus, verdadeiro Deus, Criador de céu e terra, pleno de poder divino e sabedoria e liberdade; No entanto, por amor, ele escolheu ser um de nós, um ser palpável, um ser humano ao vivo; experimentando tudo o que nós experimentamos; caminhando conosco em nossos caminhos.

Pastor Marcos Schmidt

Mensagem do Pastor

Não somos a luz, apenas falamos a respeito da luz.

Terceiro Domingo no Advento – 2023

Textos da semana: Sl 126, Is 61.1-4, 8-11, 1 Ts 5.16-24, Jo 1.6-8, 19-28

Texto para reflexão: João 1.8, 19 e 20, onde lemos:

(8) João não era a luz, mas veio para falar a respeito da luz,

(19) Os líderes judeus enviaram de Jerusalém alguns sacerdotes e levitas para perguntarem a João quem ele era. (20) João afirmou claramente:

— Eu não sou o Messias.

Mensagem do Pastor Marcos Schmidt:

Nesta noite de quinta para sexta uma chuva de meteoros vai iluminar o céu do Brasil e de outros lugares do nosso planeta do hemisfério sul. Serão 120 “estrelas cadentes” por hora, ou meteoros. Meteoros são fragmentos de asteroides, que quando entram em contado com a atmosfera da Terra, pegam fogo e iluminam o céu. É uma cena muito bonita, mas fugaz, passageira, que acontece muito rápido. Assim como surge, apaga.

Diferente da luz de uma estrela, que permanece do céu, com um brilho intenso e constante.

O Evangelho deste 3º Domingo no Advento diz que João Batista não era a luz, mas veio para falar a respeito da luz. Podemos comparar a vida de João Batista e a vida de todos os cristãos neste mundo com a luz de um meteoro. Jesus diz que nós, cristãos, somos a luz do mundo. Temos uma missão, mas ela tem começo, meio e fim. E tudo acontece como um meteoro. Mas com um propósito.

Por outro lado, a Bíblia também afirma que a vida humana, de crentes e descrentes, é como a flor do campo, que de manhã nasce, de tarde murcha e de noite morre. Mas, o que seria dos campos sem as flores? O que seria deste mundo sem o colorido e a beleza destas plantas que encantam e cativam?

Por isto, se flores do campo embelezam a natureza, se meteoros iluminam o céu, João Batista também cumpriu a sua missão neste mundo. E nós, qual a nossa missão?

Antes de sabermos qual é a nossa missão, precisamos nos dar conta disto, que a nossa vida é como um meteoro. Não dura muito. Nós temos a tendência de esquecemos disto. Nos agarramos nas coisas terrenas como se elas fossem eternas. Mas, tudo passa. E por isto, então, esta doença chamada “dezembrite”.

“Dezembrite” é o nome desta depressão, ansiedade e frustração no fim de ano. Conforme os especialistas, um dos motivos é a decepção pelas metas que deixamos de cumprir e que nos perturbam com sentimos de fracasso.

Misturado a isso, Natal e Fim de Ano carregam o peso de lembranças saudosistas dos tempos que não voltam mais e expectativas ilusórias do futuro. É um turbilhão de sentimentos num único mês parecido com os ciclones das mudanças climáticas.

Mas, no meu entendimento bíblico, percebo outras razões para esta depressão, tristeza e angústia neste mês de dezembro.

Natal e Fim de Ano trazem uma enxurrada de votos de paz, amor e felicidade. E o que se faz? Muitos buscam isso lá dentro do seu coração. Tentam ser o próprio salvador. Por isto, dou um outro nome para esta doença de fim de ano: “natalite”. Ou seja, é a inflamação do Natal.

Nós, cristãos, também precisamos cuidar para não sofrermos deste mal que atinge a humanidade, que é rejeitar a luz do Natal. Por isto, então, a história de João Batista neste período de Advento.

Não há dúvida de que este é um grande desafio. Não ser a luz, mas apenas apontar para a luz. João Batista bem que poderia ter aproveitado a ocasião, e tirado proveito. Imaginem o prestígio que ele poderia conseguir, fama, sucesso, e até dinheiro. Ele já tinha conseguido a atenção do povo, a mídia estava com ele.

A fama dele chamou a atenção das autoridades, tanto religiosas como políticas. Eles queriam saber onde estava o sucesso da sua fama. Mas, quando os sacerdotes e levitas lhe perguntaram se ele era o Messias –

ou seja, se ele era o salvador que iria trazer a prosperidade e uma vida melhor para o povo – João Batista foi enfático: – Eu não sou o Messias.

Quem sabe, neste momento, estas pessoas estavam pensando naquilo que diz o Salmo 126.4: “Ó Senhor, faze com que prosperemos de novo, assim como a chuva enche de novo o leito seco dos rios”.

Havia uma expectativa enganosa a respeito das promessas sobre a vinda do Messias, que traria de volta aqueles tempos de prosperidade política e social. Por isto, colocaram suas esperanças em João Batista, assim como colocaram estas falsas esperanças no próprio Jesus.

O que não falta hoje são pessoas procurando um messias. Ou então, pessoas dizendo que são messias. Em todas as áreas, na religião, na política, no mundo artístico, no futebol, enfim, sempre surgem estes meteoros que levam as pessoas a terem esperança naquilo que buscam. O que as pessoas buscam? O paraíso na terra. Mas, tudo neste mundo é fugaz, igual ao brilho de um meteoro. E por isto a decepção quando descobrem a brevidade do brilho destes messias meteoros.

Na verdade, este é o grande contraste do Natal, a luz eterna e verdadeira, com as luzes deste mundo, que são passageiras.

Começando com a nossa luz, que é um reflexo de Jesus. Ela também é fugaz, passageira, transitória. Enquanto isto, a luz enganadora dos falsos messias e das ilusões da vida, além de passageiras, levam as pessoas a um final triste.

Precisamos, portanto, entender isto, o nosso lugar. E cumprir a nossa missão enquanto estiver brilhando.

É disto que se refere o profeta Isaías,  conforme o texto deste culto: “O SENHOR Deus me deu o seu Espírito, pois ele me escolheu para levar boas notícias aos pobres. Ele me enviou para animar os aflitos, para anunciar a libertação aos escravos e a liberdade para os que estão na prisão”.

São palavras que apontam para Jesus, o escolhido por Deus para salvar o mundo. Mas também são palavras que apontam para nós, que temos a tarefa de levar boas notícias.

Este é o contraste, a diferença que ainda hoje podemos fazer, num mundo cheio de messias, de gente que quer ser luz, mas é escuridão.

Quando o Evangelho diz que João não era a luz, mas veio para falar a respeito da luz, está bem claro que mesmo sendo um profeta tão importante, até citado no Antigo Testamento como aquele que veio preparar o caminho para Jesus passar, mesmo assim, era um simples homem, limitado e pecador. Mas ele cumpriu a sua tarefa porque não tomou o lugar de Jesus, não deixou o seu coração se encher de orgulho.

Foi João Batista quem disse as palavras do Evangelho:  Ele (Jesus) vem depois de mim, mas eu não mereço a honra de desamarrar as correias das sandálias dele.

João Batista serve de exemplo para todos nós, seguidores de Jesus, quando também somos chamados para apontar para a Luz. A grande tentação que sempre enfrentamos é seguir o exemplo das pessoas do mundo, e nos enchermos de orgulho, de arrogância, de soberba.

Todos nós, pastores e membros, em nossas funções dentro da igreja e fora da igreja, sabemos da importância de usar nossa vida e nossos dons para sermos o João Batista de hoje. Somos aqueles que foram chamados para preparar o caminho para o Senhor passar.

Não sei se vamos conseguir ver esta chuva de meteoros que vai iluminar o céu neste final de dezembro. Tudo depende da localização, também se o céu estiver limpo, sem nuvens. Mas, uma coisa é certa. O brilho estará lá, e será um espetáculo para muita gente.

É isto que Deus espera de nós, cristãos, iluminar. Se as pessoas não enxergarem o brilho que refletimos, e que vem de Jesus, isto não será nossa culpa. Mas, podemos ter certeza de que muito verão, e irão glorificar a Deus. Amém.

Mensagem do Pastor

“Hosana” – Por favor, vem nos salvar!

1º Domingo no Advento (B) – 2023

Textos:   Sl 80.1-7,  Is 64.1-9,  1 Co 1.3-9, Mc 11.1-10

Pastor Marcos Schmidt

A história da entrada de Jesus em Jerusalém para ser aclamado pelo povo como rei não apenas marca o início do Advento. Esta história carrega uma mensagem muito importante para você e para mim.

Advento é chegada, vinda, e assim, lembramos que Jesus vem através de três maneiras, no seu nascimento, pelo Evangelho, e um dia, no Juízo Final.

Ora, isto é uma coisa óbvia, se preparar para receber alguém importante é um capricho que qualquer pessoa responsável pratica. A gente arruma a casa, oferece alguma coisa para comer, e assim por diante. Quando Jesus entrou em Jerusalém, ele estava muito famoso pelos seus milagres e pregações. E havia uma grande expectativa de que ele poderia trazer uma vida melhor ao povo judeu, que vivia escravizado pelo império romano.

Mas, a fama de Jesus aumentou também a ira e a preocupação dos fariseus e líderes religiosos, que por diversas vezes tinham sido chamados de hipócritas por Jesus. É bom também dizer que Jerusalém naqueles dias estava cheia de gente, gente que veio para celebrar a festa da Páscoa que aconteceria uma semana depois, deste Domingo que hoje nós chamamos de Ramos. Era uma cidade pequena, tinha uns 20 mil habitantes naquele tempo, mas com a festa da Páscoa, virava um formigueiro de gente. Alguém estima que passava dos 150 mil os visitantes.

Pois bem, este é o contexto desta entrada de Jesus na cidade que chamam de santa – e que hoje vive uma guerra humana e bem pecadora. Foi no meio desta desordem, habitada por pessoas aflitas querendo uma vida melhor com expectativas de liberdade, gente com ódio no coração que desejava a morte de Jesus, no meio de uma confusão religiosa quando queriam transformar Jesus num libertador político, enfim, foi no meio da desgraça humana que Jesus entrou. E entrou para ser preso, morto na cruz, e ressuscitar.

Jesus entrou em Jerusalém para cumprir a sua missão, salvar o mundo, salvar você e eu.

Vejam, Jerusalém representa o mundo, representa você e eu. O que resta hoje desta cidade são apenas pedras, tijolos e coisas terrenas que foram usadas por Deus para aquilo que ele deseja a todas as cidades deste mundo. É uma cidade sagrada assim como todas as cidades são sagradas – ou seja, separadas para isto que Jesus foi fazer quando entrou neste lugar.

Interessante que, segundo os relatos bíblicos, Jesus entrou em Jerusalém por sete ocasiões.   A primeira quando foi purificado no Templo – uma cerimônia que era realizada com o filho primogênito segundo a lei de Moisés. E a última vez quando Jesus morreu e ressuscitou.

Isto me faz refletir que Jesus precisa entrar na vida de todos nós nos sete dias da semana, isto é, em todos os dias. E como Jesus entra em nossa vida? No dia da nossa purificação por ocasião do Batismo, e sempre quando morremos para o pecado e ressuscitamos para uma nova vida, conforme explica Lutero no Catecismo Menor.

E por que Jesus precisa entrar em nossa vida todos os dias? Por uma questão bem simples, sem ele estamos perdidos, sem salvação, sem saída.

Aliás, este é o grito no Salmo 80: “Ouve-nos, ó Pastor de Israel. Escuta-nos, tu que guias o teu rebanho”.

Este também é o grito das palavras que o povo pronunciou, quando Jesus entrou em Jerusalém: Hosana. Hosana, no hebraico, significa “salva já”, ou “nós suplicamos, salva”.

Todos nós sempre temos razões para gritar “hosana”. Não faltam em nossa vida motivos para pedir por socorro. Aliás, nos últimos dias, estamos sendo vítimas aqui em nosso estado das chuvaradas e enchentes, e muitos gritaram por socorro. E vieram bombeiros, salva-vidas de barco, defesa civil para resgatar e salvar.

E assim, cada um de nós tem as suas enchentes, seus dramas, aflições, angústias, desespero. Chega o final de ano, aumenta ainda mais o número de pessoas deprimidas, e muita gente não consegue lidar com suas tristezas e tira a própria vida.

Onde buscar ajuda? Ora, dependendo das expectativas, dos sonhos e desejos, certamente este Jesus montado num jumentinho não poderá ajudar. Foi o que aconteceu com a maioria daquela gente em Jerusalém, que desejava o céu aqui na terra, e por isto, o “Hosana” transformou-se em “crucifica-o, crucifica-o”.

O que você espera de Jesus? Alguém que vem montando num jumentinho? Ou alguém que vem num carro de luxo?

Certamente os discípulos não entenderam a ordem de Jesus quando pediu que eles arrumassem um jumentinho. Aliás, Jesus sempre caminhava, e caminhava muito, dezenas e dezenas de quilômetros. Agora, para fazer um trajeto bem curto, pede um jumentinho?

Mas, como diz o Evangelho de Mateus, isto aconteceu para que se cumprirem as Escrituras, conforme Zacarias 9.9: “Alegre-se muito, povo de Sião! Moradores de Jerusalém, cantem de alegria, pois o seu rei está chegando. Ele vem triunfante e vitorioso; mas é humilde, e está montado num jumento, num jumentinho, filho de jumenta”.

Este animal simples e sem prestígio foi usado por Jesus exatamente para dizer ao mundo que a salvação que ele veio trazer nos livra de tudo aquilo que tanto nos absorve, nos enche de preocupação, nos engana e nos decepciona.

Aliás, quem somos nós para julgar aquele povo que ficou decepcionado com Jesus naquela semana? Eles viviam o inferno aqui na terra, debaixo da violência dos soldados romanos, sob a desgraça da pobreza, miséria, sem futuro… E quando Jesus diz que o reino dele não é deste mundo, os sonhos do povo viram apenas sonhos e desilusões.

É isto que acontece na vida de muitos cristãos, e muitas vezes na nossa vida, quando surgem os problemas e não são resolvidos como gostaríamos que fossem resolvidos. Quando as orações não são atendidas com gostaríamos que fossem atendidas.

Para não ficarmos decepcionados com Jesus, nós então oramos “e não nos deixes cair em tentação”. Jesus nos ensinou isto no Pai Nosso, exatamente para não sermos enganados pelas falsas promessas de um reino terreno que não passa de um castelo de areia.

Jesus nunca prometeu que a nossa vida neste mundo seria um mar de rosas. Ao contrário, disse que no mundo passaríamos por aflições. Mas tenham coragem, tenham bom ânimo, ressaltou o Salvador, “eu venci o mundo”.

Por isto as palavras em Isaías 64.1, o texto do Antigo Testamento: “Como gostaríamos que tu rasgasses os céus e descesses, fazendo as montanhas tremerem diante de ti!”  Ou seja, como nós gostaríamos que Deus mostrasse que ele é Deus, todo-poderoso, para dar um jeito neste mundo, melhorar a nossa vida, nos livrar do sofrimento, da dor, das coisas ruins. Mas, parece que Deus está distante, longe, que não se preocupa conosco.

Se vocês prestaram atenção em toda a leitura aqui em Isaías, o desabafo do profeta vem logo com uma confissão: “Por causa dos nossos pecados, tu te escondeste de nós e nos abandonaste”.

Será que é isto mesmo, será que Deus nos abandona por causa dos nossos pecados? Como é importante entender a Bíblia, o contexto das palavras. Felizmente, ao dizer isto, o profeta está apenas colocando para fora um sentimento bem humano, e muito presente em nós. Isto é, que as nossas dores e desgraças são um castigo de Deus.

Nossas dores e desgraças até podem ser consequência de nossos erros e pecados, mas esta não é a realidade, ao menos, no coração de Deus. O autor de Isaías reconhece isto, e por isto ele exclama: “Mas tu, ó Senhor Deus, és o nosso Pai; nós somos o barro, tu és o oleiro, todos nós fomos feitos por ti. Não continues tão irado, ó Senhor, nem lembres para sempre os nossos pecados. Não esqueças que somos o teu povo”.

Esta é uma verdade que você nunca pode duvidar. Aliás, é isto que o Diabo tanto faz, colocar dúvidas em nós sobre o amor de Deus. Deus não esquece do seu povo, tanto que ele entrou em Jerusalém. Ele entrou na tua e na minha vida, e veio para nos livrar de todos os nossos pecados e de todas as consequências do pecado.

Meu irmão, minha irmã, outra vez chega a festa do Natal e um fim de ano, e no meio das correrias, festas e alegrias, surgem nossas tristezas, frustrações e preocupações. O mês de dezembro até pode ser comparado com a cidade de Jerusalém naquele dia quando Jesus foi recebido como rei e depois coloca numa cruz como um bandido.

As pessoas, em geral, festejam o Natal assim, colocam Jesus numa manjedoura, cantam Noite Feliz, enfeitam suas casas como enfeitaram as ruas de Jerusalém onde Jesus passou, enfim, recebem Jesus como um rei. Mas, depois matam Jesus em sua vida, através da descrença nas verdadeiras promessas do reino que ele veio trazer.

Mas, nós que gritamos Hosana, não queremos seguir este povo. Queremos seguir Jesus. E para isto, podemos fazer três coisas:

  1. Primeiro, preparar o caminho para Jesus passar. Fazemos isto diariamente, nos arrependendo dos nossos pecados e crendo no perdão.
  2. Outra coisa, o povo de Jerusalém gritava Hosana quando Jesus passava, e assim, confessaram diante dos outros de onde vem a salvação. Em nossas angústias e aflições, podemos dizer hosana, gritar, pedir socorro. E Deus vai nos ouvir. E as pessoas ao nosso lado também vão nos ouvir. E isto será um testemunho para tantas pessoas aflitas, e buscam ajuda em deuses que não podem ajudar.  
  3. E por fim, vale lembrar o gesto do povo, quando muitos colocaram no caminho suas vestes, capas, para que Jesus pudesse passar por cima, montado no jumentinho. Com isto, suas roupas se estragaram certamente. Pois, não tem outro jeito, para Jesus entrar em nossa vida e neste mundo, precisamos deixar de lado muita coisa e colocar a disposição de Jesus. Começando com nossos pecados, nosso orgulho. Depois com nosso tempo, bens e dons, que ofertamos a Deus.

E fazemos isto, porque quem está entrando é o Rei dos reis, Senhor dos senhores que vem nos salvar. Isto é o verdadeiro Advento. Amém.  

Mensagem do Pastor

Preparados para a vinda de Cristo

Penúltimo Domingo do Ano da Igreja – 2023

Textos: Sl 90.1-12; Sf 1.7-16; 1 Ts 5.1-11; Mt 25.14-30

Para muitos, a ideia do fim do mundo, juízo final, causa grande terror. Para outros, o assunto não desperta nenhum sentimento, além de descaso e incredulidade. Até mesmo muitos cristãos não levam a sério este assunto, que esta nas páginas da Bíblia de forma muito clara e enfática.

        Mas, e nós, que cremos em todas as promessas bíblicas, como devemos encarar o Fim do Mundo, também conhecido como o Juízo Final?

        Se ouvimos com atenção as palavras do profeta Sofonias, o dia do juízo de Deus é uma ocasião de extremo terror: O grande Dia do Senhor está perto e vem chegando depressa! Será um dia terrível, em que até os soldados mais valentes gritarão de medo (1.14).

        No Salmo 90, lemos que: Nós somos destruídos pela tua ira, e o teu furor nos deixa apavorados.

        Enquanto isto, na epístola, chamam atenção as palavras: Quando as pessoas começarem a dizer: tudo está calmo e seguro, então é que de repente, a destruição cairá sobre elas. As pessoas não poderão escapar… (1 Ts 5.3)

        E por último, na conclusão da parábola, conforme o Evangelho, encontramos palavras duras: E joguem fora, na escuridão, o empregado inútil. Ali ele vai chorar e ranger os dentes de desespero. (Mt 25.30).

        Sem dúvida, não faltam motivos para sentir medo, terror, assombro. E a Bíblia não deixa por menos, pois neste dia, Deus não virá para salvar o mundo, como foi no Natal. Mas virá para julgar o mundo. Virá como Juiz de vivos e mortos.

        Por isto, a pergunta: Qual o sentimento que nós temos quanto a este dia?

Antes de responder esta pergunta, é preciso dizer que o assunto é sério. Não é brincadeira. Existe muita descrença e até zombaria. Mas, é preciso lembrar que a zombaria é até um sinal da proximidade da vinda de Cristo, conforme escreveu Pedro na sua 2ª carta:

Vocês precisam saber que nos últimos dias vão aparecer homens dominados pelas suas próprias paixões. Eles vão zombar de vocês, dizendo: Ele prometeu vir, não foi? Onde ele está? Os nossos pais morreram, e tudo continua do mesmo jeito…

        No entanto, nós cristãos, nunca deveríamos ter dúvidas sobre este dia. Até porque, existem religiões e igrejas que ensinam coisas diferentes daquelas que estão na Bíblia. Isto implica que nós precisamos ter o conhecimento bíblico correto para não cairmos em armadilhas. Por exemplo, o que nós sabemos sobre o milenismo? Como entendemos os sinais indicados por Jesus? E o livro de Apocalipse, e outras passagens proféticas na Bíblia? Temos compreensão a respeito deste tema tão importante para a nossa fé cristã?

        Se NÓS temos dúvidas sobre tais questões, existe muita literatura cristã boa e verdadeira a respeito, que pode nos oferecer as verdadeiras doutrinas. Mas, todo o cuidado é pouco, porque existe muita literatura, especialmente hoje na Internet, que ensina coisas bem diferentes daquilo que Deus revelou na Bíblia. Tenham cuidado! Isto é um recado do próprio Jesus, ao alertar que nos últimos tempos vão aparecer muitos falsos profetas.

        Em todo o caso, qual é a nossa expectativa quanto ao dia em que iremos nos encontrar com o Senhor Jesus?

        A Bíblia diz que Jesus virá na companhia dos santos anjos para julgar todas as pessoas, tanto as pessoas vivas como as que já morreram. Neste julgamento o Senhor Jesus irá buscar na fé de cada um – e nos frutos desta fé – o veredicto, a sentença.

        Aqueles que creram e viveram esta fé, ouvirão o convite mais interessante e grandioso que alguém pode receber:

        – “Venham vocês que são abençoados pelo meu Pai! Venham e recebam o reino que meu Deus preparou para vocês desde a criação do mundo”.   

        Mas, ao lado deste convite tão maravilhoso, muitas pessoas ouvirão a sentença de condenação mais terrível do mundo, proferida pelo Juiz dos juízes:    

        – “Afastem-se de mim, vocês que estão debaixo da maldição de Deus! Vão para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos.”

      A leitura da Epístola, 1 Tessalonicenses 5.1-11, complementa este ensinamento com importantes detalhes:

        O 1º Destaque é que o dia derradeiro virá como ladrão, isto é, de surpresa! É preciso, portanto, vigiar para não ser pego despreparado.

– MAS, O QUE SIGNIFICA ESTAR PREPARADO?

– EU ESTOU PREPARADO?

– SE JESUS VIESSE AGORA?

        Outro Destaque: Enquanto aguardamos a vinda do dia derradeiro, o apóstolo Paulo responde esta pergunta: Como devo ESTAR PREPARADO? O apóstolo escreve: “Devemos usar a fé e o amor como couraça e a nossa esperança de salvação como capacete”!

Couraça e capacete são instrumentos de proteção para os soldados na batalha.

Respondendo de forma mais direta, estar preparado para a vida de Cristo é ter a FÉ cristã, que é a certeza da salvação em Jesus, e, logicamente, a prática desta fé, que é o amor, amor a Deus e ao próximo. Até porque, Tiago diz que a fé sem obras é morta.

à E aqui podemos destacar a parábola de Jesus, a dos talentos, ou dos três empregados. O patrão foi viajar. Mas antes, chamou seus três empregados e entregou dinheiro para que fosse administrado e desse lucro. Um recebeu 500 moedas de ouro, ou 5 talentos, outro recebeu 200 moedas, ou 2 talentos, e o último, 100 moedas, ou, 1 talento.

Quando o patrão voltou, o que tinha 500, conseguiu mais 500 moedas, o que tinha 200, conseguiu mais 200 moedas, mas, o que recebeu 100 moedas, enterrou-as, e na prestação de contas, devolveu estas moedas ao patrão.

Gostaria de lembrar quatro coisas nesta parábola tão conhecida, e faz a gente refletir sobre este assunto Juízo Final:

  1. Ao entregar seus 8 talentos aos três servos, o patrão se tornou dependente da honestidade, da lealdade e da fidelidade daqueles servos.

Ou seja, Deus coloca sobre nós, cristãos, os serviços do seu reino celestial. Ele poderia enviar os seus anjos, ou ele mesmo poderia anunciar com sua voz, como fez quando falou com Moisés no deserto. Mas, deixa este serviço de Ir por todo o mundo, para nós. Porque ele faz isto? Não temos a resposta, mas, sabemos como ele faz isto, e até hoje, tem funcionado, e assim vai ser até aquele dia da volta de Cristo.

  • Outra coisa na parábola: Se os empregados não administrarem de forma correta os recursos que receberam, o patrão poderá se ver em grande prejuízo.

Isto é um risco que Deus corre, em ter o seu precioso tesouro, que é a vida de seu filho de Jesus, não servir para a vida da humanidade. Isto faz a gente pensar sobre a importância de sermos bons administradores do Evangelho e de tudo o que Deus nos oferece nesta vida. Não queremos dar prejuízo a Deus.

  • Chama a atenção na parábola a desculpa fria do servo, que enterrou o seu talento. Em vez de prestar contas, justificou sua irresponsabilidade: – “Eu sei que o senhor é um homem duro, que colhe onde não plantou e junta onde não semeou. Fiquei com medo e por isso escondi o seu dinheiro na terra”.

É sempre assim, Deus é o culpado. Se as coisas não funcionam, é porque Deus, não fez as coisas direito. Precisamos ter todo cuidado quando somos infiéis em nossa vida cristã, quando não usamos nossos dons e nossa vida para os propósitos que Deus deseja: nós somos os culpados, e não é Deus. Este reconhecimento é o primeiro passo para mudar nas atitudes e ser um bom cristão neste mundo.

  • Outra coisa na parábola, o patrão ordena que o talento do servo mau e negligente seja tirado e entregue ao que tinha 10 talentos.

Isto é um recado final para as pessoas que insistirem numa vida descrente, sem fé e sem amor. Elas, pelo fato de enterrar o talento da salvação, que é para todos, vão perder para sempre a oportunidade da vida eterna.

A parábola de Jesus tem um recado para todos nós, cristãos, nós que recebemos o talento da SALVAÇÃO: ele deseja que esta salvação seja multiplica. Nós recebemos a fé, e todas as coisas neste mundo. Enterrar isto é não praticar as boas obras, é não amar o próximo, é não ter os frutos da fé. É não falar para os outros a respeito de Cristo.

E aqui entra uma palavra muito importante na epístola, em primeiro tessalonicenses: “Deus não nos escolheu para sofrermos o castigo da sua ira, mas para nos dar a salvação por meio do nosso Senhor Jesus Cristo!”

Como é importante saber e crer que Deus não nos escolheu para o Juízo, para a condenação. Mas, nos escolheu para vivermos um dia no maravilhoso lugar, que conhecemos como CÉU.

Diz a Bíblia que Deus não tem prazer na morte do pecador. Deus deseja que todos sejam salvos.

Este também era o desejo de Deus para as pessoas do povo de Judá no tempo do profeta Sofonias. O nome Sofonias significa: Deus se escondeu. Ou seja, Deus se escondeu de vergonha deste povo que estava completamente afastado dele, vivendo como viviam as pessoas do mundo. Isto aconteceu uns 600 anos antes de Cristo.

Infelizmente, este Dia do Senhor anunciado pelo Profeta Sofonias aconteceu quando Jerusalém e toda a nação de Judá foi invadida pelo rei Nabucodonozor, rei da Assíria (que hoje é o Iraque). A história nos conta que foram 70 anos do Cativeiro Babilônico.

Neste livro de Sofonias, que são apensas 3 capítulos, o destaque é o Dia do Senhor, que aponta de forma profética a volta de Jesus para julgar os vivos e os mortos. Mas, o castigo que sobreveio ao povo de Judá, que perdeu uma guerra e virou escravo, isto é comparado com o Juízo Final.

E podemos dizer que hoje, todas as coisas ruins que acontecem no mundo, são prenúncios do Dia do Senhor.

Mas, volto a fazer a pergunta que fiz no início desta mensagem:

– Qual o sentimento quanto a este dia?

É claro, que, devido nossa natureza humana, também sentimos certo medo por tudo o que pode acontecer neste mundo de guerras, fome, calamidades, doenças – enfim, diante do sofrimento humano. Isto é algo natural. No entanto, assim como não temos medo da morte, também não temos medo do Juízo Final, e por um simples motivo: a morte e a volta de Cristo significa para nós a salvação.

Isto já diferente para os descrentes.

E aí entra a nossa tarefa: levar o Evangelho, falar de Cristo, praticar o amor, para as pessoas descrentes ao nosso redor tenham também este talento, que é a vida eterna.

        E aqui entra, então, as palavras finais da epístola: “Animem e ajudem uns aos outros!” É um conselho extremamente oportuno nestes tempos quando há tanto desânimo e tristeza.

        Nossa tarefa é, portanto, usar nossos talentos para que na vinda de Cristo, muitas pessoas encontrem em Jesus o seu Salvador. Por isto, dizemos com o poeta: O tempo, no entanto, a vida transforma, e os dias tão breves se vão qual vapor, com eles passamos, por isso nós somos apenas mordomos dos bens do Senhor. Amém.

Pastor Marcos Schmidt

Mensagem do Pastor

Israelenses e palestinos

Artigo Pastor Marcos Schmidt – Publicado no Jornal NH em 07.11.2023.

O que acontece hoje nas terras bíblicas – que não têm nada de santidade a não ser aquele que pisou nela – é uma disputa humana e cruel igual a tantas outras neste planeta maculado com ódio e sangue. Aliás, invocar a Deus para este ou aquele lado é um pecado contra o “não tomarás em vão o nome do Senhor, teu Deus”. Sobre nossas orações, é bom ouvir o que disse Jesus no Sermão do Monte: “Amem os seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês”.

Essa ideia equivocada sobre a supremacia de Israel como “filho predileto de Deus” foi assunto do apóstolo Paulo. Ele pergunta: “Será que Deus é somente Deus dos judeus? Será que não é também Deus dos não judeus? Claro que é! Deus é um só e aceitará os judeus na base da sua fé e também aceitará os não judeus por meio da fé que eles têm” (Romanos 3.29,30). Em outra carta, o apóstolo afirma: “Desse modo não existe diferença entre judeus e não judeus, entre escravos e pessoas livres, entre homens e mulheres: todos vocês são um só por estarem unidos com Cristo Jesus”. No final, ele lembra àqueles que não tinham a descendência de Israel: “E, já que vocês pertencem a Cristo, então são descendentes de Abraão e receberão aquilo que Deus prometeu” (Gálatas 3.28,29). 

Escandaloso, portanto, seguidores de Jesus empunhando a bandeira de Israel ou a bandeira da Palestina, na ideia de que Deus toma partido nessas disputas sangrentas. Atitudes que comprometem a pregação do Evangelho, a boa notícia que Deus ama a todos sem distinção. Ainda bem que o Criador continua presente com a sua misericórdia e não desiste desta humanidade tão violenta e cada vez mais armada.  

Marcos Schmidt – Pastor Luterano