3º Domingo após Epifania – 2024

Leia em sua bíblia: Salmos 62.5-12 | Jonas 3.1-5,10 | 1 Coríntios 7.29-35 | Marcos 1.14-20
Os textos bíblicos de hoje nos dizem que quando Deus nos chama para a verdadeira vida, é preciso deixar tudo de lado as coisas secundárias e seguir adiante para aquilo que é mais importante.
Escreve o evangelista Marcos que, após o convite de Jesus para segui-lo, os irmãos Simão e André “largaram logo as redes e foram com Jesus” (Marcos 1.18). Mais adiante, o texto diz que os irmãos Tiago e João deixaram o pai, os empregados, o barco e foram com Jesus.
Mas, fica a pergunta: Como estes pescadores largaram tão depressa as suas redes, o barco, isto é, o seu emprego? Eles deveriam ter família para sustentar. Não foi uma irresponsabilidade, deixar emprego, posses, família?
E Jesus? Como pode fazer um pedido destes?
Na verdade, a falta de detalhes na narrativa do Evangelho de Marcos pode criar a impressão de que este chamado de Jesus tenha acontecido no primeiro encontro dele com estes pescadores. E que eles agiram de maneira inapropriada, irresponsável.
Mas, não foi bem assim!
É importante lembrar que o evangelista Marcos é bem econômico nos detalhes, ele vai direto no que interessa.
Com certeza, os quatro pescadores tiveram vários contatos com Jesus, houve muita conversa, reflexão, amadurecimento, para chegarem a esta decisão de aceitar o chamado de Jesus.
E outra coisa. Jesus, certamente, não entregaria a tarefa de pregar o Evangelho para pessoas que não cumprem com seus compromissos familiares e profissionais. Pessoas irresponsáveis no trabalho e na família são pessoas irresponsáveis também na igreja.
O apóstolo Paulo, na primeira carta a Timóteo, até lembra que quem deseja ser pastor e pregar o Evangelho, deve saber cuidar bem da sua própria família para também saber cuidar da Igreja (1 Tm 3.5).
Ou seja, a mensagem do Evangelho que anuncia o perdão dos pecados não dá autorização para cometer o pecado da irresponsabilidade.
Desta forma, é preciso entender o sentido das palavras “largaram logo as redes e foram com Jesus”.
“Redes, barco” hoje representam os valiosos instrumentos para uma profissão, coisas necessárias para o sustento terreno.
Assim, quando o texto bíblico diz que eles “largaram”, certamente foram preparados e capacitados por Deus para abandonar os seus compromissos profissionais e familiares, sem cometer injustiças.
Deus não chama ninguém para assumir uma tarefa especial em seu reino, sem antes preparar o terreno e a pessoa. E quando Deus chama, negar o convite – isto sim, é uma irresponsabilidade.
Foi o caso de Jonas – o profeta fujão.
Deus, no entanto, foi atrás de Jonas, e fez com que ele sentisse na pele as consequências de um discípulo fujão. Jogado no mar e engolido por um grande peixe, Deus o colocou bem no meio da responsabilidade. Já arrependido, se tornou um valioso instrumento na missão de Deus.
TODOS nós, pastores e membros da igreja, recebemos um chamado de Deus. Cada um com suas capacidades e dons.
Mas, para aceitarmos este chamado, ainda hoje é necessário LARGAR AS REDES.
No caso do chamado para ser pastor, LARGAR AS REDES significa não ter outra função a não ser o MINISTÉRIO PASTORAL. Até existem pastores com um chamado diferenciado, de tempo parcial, onde têm duas funções, pastor de uma igreja e a uma profissão secular. Mas, a grande maioria dos pastores da IELB tem um chamado de tempo integral. Portanto, precisam largar as redes literalmente, ou seja, não ter nenhuma atividade de ocupação profissional além de ser pastor.
Mas, e os membros leigos, no caso, vocês, congregação? O que vocês precisam largar, deixar de lado, para o chamado ao SACERDÓRCIO DE TODOS OS CRENTES, isto é, o chamado que todo o cristão recebe de Deus para ser testemunha da salvação?
Na verdade, o que vocês leigos, homens e mulheres, precisam deixar de lado para o chamado que receberam, é o mesmo que nós pastores precisamos deixar de lado.
E podemos começar usando o exemplo da história do profeta JONAS. Ele precisava largar a falta de amor, o ódio, o preconceito, sentimentos que tinha contra os habitantes de Nínive.
Humanamente pensando, ele tinha toda a razão, afinal, os ninivitas eram os inimigos “número 1” do povo de Israel.
Outra coisa que todos nós precisamos deixar de lado, está relatado na Epístola do culto.
Em 1 Corintios 7.29-35, o apóstolo Paulo menciona o que dificulta o empenho para sermos cristãos fiéis ao nosso chamado: as preocupações com as coisas deste mundo.
“Não nos resta muito tempo”, diz Paulo. Ele está falando da urgência em anunciar o Evangelho.
Por isto, diz Paulo, os casados devem viver como se não tivessem casado, os que choram como se não estivessem chorando, os que estão rindo como se não estivessem rindo, os que compram como se não fosse deles aquilo que compram, os que tratam das coisas deste mundo, como que não estivessem ocupados com elas. Eu quero livrá-los de preocupações…
Se a gente não entender o sentido disto, pode-se outra vez pensar em irresponsabilidade. Ou seja, como uma pessoa casada pode viver como se não estivesse casada? O que Paulo fala aqui não é nenhum convite para a irresponsabilidade, mas, sim, ele fala sobre prioridade e confiança em Deus.
Ora, todos sabemos o quanto as coisas deste mundo nos prendem em preocupações. E como as preocupações atrapalham a nossa vida cristã.
Por isto, então, o remédio, conforme o Salmo de hoje: Confie sempre em Deus. Abra o coração para Deus, pois ele é o nosso refúgio (Salmo 62.8)
Confiança é fé, tanto que Paulo lembra na epístola: Não estou querendo obrigar ninguém a nada. Pelo contrário, quero que façam o que é direito e certo e que se entreguem ao serviço do Senhor com toda a dedicação (1 Co 7.35).
Não é nada fácil este “largar as redes”. Isto exige sacrifícios, custos, trabalho. Mas é preciso.
Não foi de uma hora para outra que aqueles pescadores disseram:
– Sim, Jesus, nós queremos te seguir!
Mas daí entra então a ação de Deus. A mesma ajuda que aconteceu com aqueles quatro pescadores de peixes.
E qual foi esta ação? Foi a presença de Jesus no meio deles. O Salmo de hoje destaca isto. No versículo 11 lemos: Mais de uma vez tenho ouvido Deus dizer que o poder é dele, e o amor também.
Ora, se Deus ainda hoje chama a largar e seguir, ainda hoje ele capacita. PORQUE O PODER É DELE E O AMOR TAMBÉM.
Pastor Marcos Schmidt
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