
1º Domingo após Natal – Leia em sua bíblia: Salmos 111, Isaías 61.10 – 62.3, Gálatas 4.4-7, Lucas 2.22-40.
Infelizmente, no lugar de trazerem alegrias e bênçãos, as festas do Natal e do Fim de Ano se transformaram em desgraças para muitas pessoas. Após a festa do Natal, ouvimos as notícias tristes de acidentes no trânsito, brigas e assassinatos em família, pessoas mutiladas com fogos de artifício, pessoas vítimas de afogamento nos rios e no mar. E agora, com a virada do Ano e a festa do Réveillon, não vai ser diferente.
A maior de todas as desgraças, no entanto, quando a humanidade festejou o Natal, e quando um novo ano inicia marcando o novo ano domine, isto é, o ano no Senhor Jesus, que nasceu há 2024 anos – a maior de todas as desgraças no meio destas festas já tinha sido anunciada por um homem chamado Simeão: “Este menino foi escolhido por Deus, tanto para a destruição como para a salvação de muita gente em Israel” (Lucas 2.34).
Simeão com Jesus no colo apenas afirmou o que Deus já tinha dito uns setecentos anos antes pelo profeta Isaías: “Eu serei um templo para abrigar vocês; serei também uma pedra e uma rocha … que fará que tropecem e caiam” (Isaías 8.14).
Simeão não queria estragar a alegria do casal José e Maria, muito menos tinha a intenção de estragar as futuras festas de todos nós. Ele apenas estava cumprindo o seu papel “inspirado pelo Espírito Santo”. Simeão diz uma verdade que muitos hoje não querem ouvir.
Jesus estava com 40 dias de idade, e para cumprir uma lei religiosa – conforme explica o próprio evangelista Lucas, que todo o primogênito, o filho mais velho – Jesus foi, então, consagrado. Isto está prescrito em Êxodo 13.2, e explicado em Números 3.13, onde Deus diz: “Porque todo o primogênito é meu”.
Na verdade, isto tinha um simbolismo. Quando um pai e uma mãe israelitas levavam seu filho mais velho para ser consagrado a Deus, isto apontava para o Filho Unigênito de Deus, que seria consagrado, separado, para ser o Salvador do Mundo.
E agora chegava a vez do próprio Jesus, nos braços de Maria e José. Alguém pode perguntar: Mas porque Jesus precisou se sujeitar às leis? Ele era santo, perfeito, não precisava ser consagrado?
Vocês ouviram a leitura de Gálatas, onde o apóstolo explica: “Quando chegou o tempo certo, Deus enviou o seu próprio Filho, que veio como filho de mãe humana e viveu debaixo da lei para libertar os que estavam debaixo da lei, a fim de que nós pudéssemos nos tornar filhos de Deus” (Gl 4.4,5).
Vejam, isto tem algo muito significativo para nós, cristãos, quando ouvimos este texto bíblico na vida do ano. Todos nós queremos um novo ano, cheio de alegrias e bênçãos. É isto que dizemos em nossos votos. Não queremos desgraças, infelicidade, problemas. Queremos alegrias, prosperidade, uma vida melhor. Só que no meio de tudo isto, podemos esquecer de um detalhe… Deste detalhe de Jesus nos braços de Maria e José, sendo separado, consagrado, para a bênção se torne uma realidade em nossa vida.
Ainda hoje, a benção, a verdadeira felicidade, depende de carregar Jesus nos braços. Geralmente a gente diz que Jesus nos carrega em seus braços. Mas, antes é preciso que Jesus seja carregado, separado, consagrado. Vou explicar melhor isto…
Para que nós pudéssemos ser resgatados da maldição da lei e nos tornar filhos de Deus, Jesus precisou sofrer esta maldição. Começando com estas regras, leis, normas religiosas. E foi tanta desgraça sobre Jesus, que lá no alto da cruz, Jesus grita: Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste? Jesus sempre chamava Deus de Pai, mas, com os nossos pecados sobre ele, Jesus deixou de ser filho de Deus, para que nós nos tornássemos filhos de Deus.
Mas, agora tem este detalhe, precisamos pegar Jesus em nossos braços. Precisamos fazer o que fez Simeão. Interessante que Simeão aparece na história de Natal como um meteoro. Surge e logo desaparece. Mas, sua história é cheia de importância para a nossa fé. Diz o evangelho que o Espírito Santo lhe havia prometido que, antes de morrer, ele viria o Messias com seus próprios olhos. Guiado pelo Espírito Santo, Simeão foi ao Templo, e lá ele viu o humilde casal, José e Maria. Deve ter sido muito emocionante, uma emoção que palavras não podem descrever, o que este homem sentiu naquele momento. Ele não se conteve. Pegou Jesus em seus braços, e louvou a Deus com um hino que contém as palavras mais bonitas da Bíblia. Aliás, estas palavras são parte da liturgia tradicional, usada depois da participação da Santa Ceia. Na NTLH, lemos:
— Agora, Senhor, cumpriste a promessa que fizeste e já podes deixar este teu servo partir em paz. Pois eu já vi com os meus próprios olhos a tua salvação, que preparaste na presença de todos os povos: uma luz para mostrar o teu caminho a todos os que não são judeus e para dar glória ao teu povo de Israel.
Vejam, carregar Jesus nos braços é dizer: “Senhor, agora eu posso partir em paz. Agora, com Jesus na minha vida, eu posso entrar em 2024 tranquilo. Porque Jesus é a luz para guiar o meu caminho”.
Este é o detalhe para eu ser abençoado, eu e a minha família. Jesus nos meus braços. Não nos braços dos outros, mas nos meus braços. Estou falando de fé, de ter a certeza de que posso partir em paz, e ser recebido por Deus como o meu Pai.
Mas, outro detalhe. Diz o Evangelho que Simeão foi guiado pelo Espírito Santo. O texto insiste nisto para nos fazer lembrar que a fé é um presente de Deus. Outro fato importante, Simeão só foi guiado pelo Espírito Santo porque ele esperava a Salvação, isto é, ele conhecia as profecias, ele lia e meditava na Palavra de Deus.
Esta é a única forma de nós esperarmos a Salvação, ou seja, através da Palavra de Deus – esta palavra presente em nossa vida através da igreja, onde fomos batizados, instruídos, edificados na fé, onde podemos receber a santa ceia, e depois dizer com Simeão, agora podes despedir o teu servo segundo a tua palavra...
Mas, também podemos fazer o contrário, podemos não esperar a Salvação, podemos esperar outras coisas…
Aliás, o que eu espero para 2024?
Se eu não esperar a salvação, como fez Simeão, 2024 não será um ano abençoado.
É triste a vida das pessoas que rejeitam Jesus. Esta profecia de Simeão, de que Jesus seria pedra de salvação, e ao mesmo tempo, pedra de tropeço, é a triste contrariedade do Natal.
Sobre esta verdade, o meu professor no Seminário, Otto Goerl, escreveu um comentário, que nos faz pensar com seriedade: “Jesus está no mundo. Está nos braços de Simeão. Está no caminho de todo homem. Não pode ser ignorado. Não pode ser contornado… Qual rocha no meio da corrente que faz as águas se partirem – correm à direita, correm à esquerda – assim Jesus divide a humanidade, … para Deus só existem justos ou injustos, crentes ou descrentes, os da direita e os da esquerda no juízo final, enfim, os que encontram em Jesus o seu levantamento ou a sua ruína, benção ou maldição”.
Infelizmente é assim mesmo. Em vez de bênçãos, Natal também traz maldição. Por isto então este alerta bíblico.
Se os meios de comunicação promovem campanhas contra o perigo no trânsito, dos afogamentos, e contra tantos outros perigos nesta época do ano, Deus em sua Palavra coloca várias placas de sinalização, dizendo: CUIDADO.
Certa história conta que um homem foi chamado à praia para pintar um barco. Enquanto pintava, percebeu que havia um pequeno buraco e decidiu consertar o barco. Quando terminou a pintura, recebeu o pagamento e foi embora.
No dia seguinte, o proprietário do barco procurou o pintor e presenteou-o com uma quantia. O pintor ficou surpreso:
– O senhor já me pagou pela pintura do barco! – disse ele.
– Mas isto não é pelo trabalho da pintura. É por ter consertado o
barco, fechando o buraco.
– Ah!, mas foi um serviço tão pequeno… É muito dinheiro por um trabalho tão insignificante!
– Meu caro amigo, você não compreende. Deixe-me contar-lhe o que aconteceu. Quando pedi para que pintasse o barco, esqueci de mencionar o buraco no casco. Depois da tinta ter secado, meus filhos saíram com o barco para uma pescaria. Eu não estava em casa naquele momento. Quando voltei e notei que haviam saído com o barco, fiquei desesperado, pois lembrei-me que o barco tinha um furo. Imagine meu alívio e alegria quando os vi retornando sãos e
salvos. Então, examinei o barco e constatei que você o havia consertado! Percebe, agora, o que fez? Salvou a vida de meus filhos! Não tenho dinheiro suficiente para pagar a sua “pequena” boa ação.
A nossa vida muitas vezes já foi comparada com um barco. A vida é uma viagem cheia de aventuras e perigos. No entanto, não adianta nada termos um barco bonito, bem pintado, se ele estiver com um pequeno buraco.
Não adianta nada termos muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender, se permanecer em nossa vida os pequenos furos dos pecados, ausência de fé e perdão. A gente até pode dar seguir viagem. Mas vai chegar o momento em que as águas do mar da vida vão encher o barco e levá-lo ao fundo.
Se estamos aqui, na virada do ano, não há dúvida, foi graças ao amor de Deus em Cristo Jesus, que não só pintor a nossa vida com tantas bênçãos materiais, mas, sobretudo, consertou a nossa alma carregando ele mesmo os nossos pecados.
Dias atrás alguém me mandou uma mensagem que continha a pergunta: Onde está a fila para ver Jesus?” Tinha um vídeo de uma canção em inglês, e a canção fala de pessoas indo ao shopping e crianças na fila para ver o Papai Noel. Em certo momento, a canção pergunta: “Onde está a fila para ver Jesus?”
Pois, sabem de uma coisa, ainda bem que não precisamos entrar na fila para ver Jesus. Em qualquer momento, situação, podemos ir direto, sem fila, sem espera, e se sentar aos pés de Jesus para fazer o nosso pedido.
Simeão fez este pedido, porque não só carregava Jesus em seus braços, mas também em seu coração. Vamos fazer a mesma coisa, guiado pelo Espírito Santo. Amém.
Pastor Marcos Schmidt
Um comentário em “Mensagem da Semana: Carregar Jesus nos braços para sermos carregados por Jesus!”
Os comentários estão encerrados.