
Terceiro Domingo no Advento – 2023
Textos da semana: Sl 126, Is 61.1-4, 8-11, 1 Ts 5.16-24, Jo 1.6-8, 19-28
Texto para reflexão: João 1.8, 19 e 20, onde lemos:
(8) João não era a luz, mas veio para falar a respeito da luz,
(19) Os líderes judeus enviaram de Jerusalém alguns sacerdotes e levitas para perguntarem a João quem ele era. (20) João afirmou claramente:
— Eu não sou o Messias.
Mensagem do Pastor Marcos Schmidt:
Nesta noite de quinta para sexta uma chuva de meteoros vai iluminar o céu do Brasil e de outros lugares do nosso planeta do hemisfério sul. Serão 120 “estrelas cadentes” por hora, ou meteoros. Meteoros são fragmentos de asteroides, que quando entram em contado com a atmosfera da Terra, pegam fogo e iluminam o céu. É uma cena muito bonita, mas fugaz, passageira, que acontece muito rápido. Assim como surge, apaga.
Diferente da luz de uma estrela, que permanece do céu, com um brilho intenso e constante.
O Evangelho deste 3º Domingo no Advento diz que João Batista não era a luz, mas veio para falar a respeito da luz. Podemos comparar a vida de João Batista e a vida de todos os cristãos neste mundo com a luz de um meteoro. Jesus diz que nós, cristãos, somos a luz do mundo. Temos uma missão, mas ela tem começo, meio e fim. E tudo acontece como um meteoro. Mas com um propósito.
Por outro lado, a Bíblia também afirma que a vida humana, de crentes e descrentes, é como a flor do campo, que de manhã nasce, de tarde murcha e de noite morre. Mas, o que seria dos campos sem as flores? O que seria deste mundo sem o colorido e a beleza destas plantas que encantam e cativam?
Por isto, se flores do campo embelezam a natureza, se meteoros iluminam o céu, João Batista também cumpriu a sua missão neste mundo. E nós, qual a nossa missão?
Antes de sabermos qual é a nossa missão, precisamos nos dar conta disto, que a nossa vida é como um meteoro. Não dura muito. Nós temos a tendência de esquecemos disto. Nos agarramos nas coisas terrenas como se elas fossem eternas. Mas, tudo passa. E por isto, então, esta doença chamada “dezembrite”.
“Dezembrite” é o nome desta depressão, ansiedade e frustração no fim de ano. Conforme os especialistas, um dos motivos é a decepção pelas metas que deixamos de cumprir e que nos perturbam com sentimos de fracasso.
Misturado a isso, Natal e Fim de Ano carregam o peso de lembranças saudosistas dos tempos que não voltam mais e expectativas ilusórias do futuro. É um turbilhão de sentimentos num único mês parecido com os ciclones das mudanças climáticas.
Mas, no meu entendimento bíblico, percebo outras razões para esta depressão, tristeza e angústia neste mês de dezembro.
Natal e Fim de Ano trazem uma enxurrada de votos de paz, amor e felicidade. E o que se faz? Muitos buscam isso lá dentro do seu coração. Tentam ser o próprio salvador. Por isto, dou um outro nome para esta doença de fim de ano: “natalite”. Ou seja, é a inflamação do Natal.
Nós, cristãos, também precisamos cuidar para não sofrermos deste mal que atinge a humanidade, que é rejeitar a luz do Natal. Por isto, então, a história de João Batista neste período de Advento.
Não há dúvida de que este é um grande desafio. Não ser a luz, mas apenas apontar para a luz. João Batista bem que poderia ter aproveitado a ocasião, e tirado proveito. Imaginem o prestígio que ele poderia conseguir, fama, sucesso, e até dinheiro. Ele já tinha conseguido a atenção do povo, a mídia estava com ele.
A fama dele chamou a atenção das autoridades, tanto religiosas como políticas. Eles queriam saber onde estava o sucesso da sua fama. Mas, quando os sacerdotes e levitas lhe perguntaram se ele era o Messias –
ou seja, se ele era o salvador que iria trazer a prosperidade e uma vida melhor para o povo – João Batista foi enfático: – Eu não sou o Messias.
Quem sabe, neste momento, estas pessoas estavam pensando naquilo que diz o Salmo 126.4: “Ó Senhor, faze com que prosperemos de novo, assim como a chuva enche de novo o leito seco dos rios”.
Havia uma expectativa enganosa a respeito das promessas sobre a vinda do Messias, que traria de volta aqueles tempos de prosperidade política e social. Por isto, colocaram suas esperanças em João Batista, assim como colocaram estas falsas esperanças no próprio Jesus.
O que não falta hoje são pessoas procurando um messias. Ou então, pessoas dizendo que são messias. Em todas as áreas, na religião, na política, no mundo artístico, no futebol, enfim, sempre surgem estes meteoros que levam as pessoas a terem esperança naquilo que buscam. O que as pessoas buscam? O paraíso na terra. Mas, tudo neste mundo é fugaz, igual ao brilho de um meteoro. E por isto a decepção quando descobrem a brevidade do brilho destes messias meteoros.
Na verdade, este é o grande contraste do Natal, a luz eterna e verdadeira, com as luzes deste mundo, que são passageiras.
Começando com a nossa luz, que é um reflexo de Jesus. Ela também é fugaz, passageira, transitória. Enquanto isto, a luz enganadora dos falsos messias e das ilusões da vida, além de passageiras, levam as pessoas a um final triste.
Precisamos, portanto, entender isto, o nosso lugar. E cumprir a nossa missão enquanto estiver brilhando.
É disto que se refere o profeta Isaías, conforme o texto deste culto: “O SENHOR Deus me deu o seu Espírito, pois ele me escolheu para levar boas notícias aos pobres. Ele me enviou para animar os aflitos, para anunciar a libertação aos escravos e a liberdade para os que estão na prisão”.
São palavras que apontam para Jesus, o escolhido por Deus para salvar o mundo. Mas também são palavras que apontam para nós, que temos a tarefa de levar boas notícias.
Este é o contraste, a diferença que ainda hoje podemos fazer, num mundo cheio de messias, de gente que quer ser luz, mas é escuridão.
Quando o Evangelho diz que João não era a luz, mas veio para falar a respeito da luz, está bem claro que mesmo sendo um profeta tão importante, até citado no Antigo Testamento como aquele que veio preparar o caminho para Jesus passar, mesmo assim, era um simples homem, limitado e pecador. Mas ele cumpriu a sua tarefa porque não tomou o lugar de Jesus, não deixou o seu coração se encher de orgulho.
Foi João Batista quem disse as palavras do Evangelho: Ele (Jesus) vem depois de mim, mas eu não mereço a honra de desamarrar as correias das sandálias dele.
João Batista serve de exemplo para todos nós, seguidores de Jesus, quando também somos chamados para apontar para a Luz. A grande tentação que sempre enfrentamos é seguir o exemplo das pessoas do mundo, e nos enchermos de orgulho, de arrogância, de soberba.
Todos nós, pastores e membros, em nossas funções dentro da igreja e fora da igreja, sabemos da importância de usar nossa vida e nossos dons para sermos o João Batista de hoje. Somos aqueles que foram chamados para preparar o caminho para o Senhor passar.
Não sei se vamos conseguir ver esta chuva de meteoros que vai iluminar o céu neste final de dezembro. Tudo depende da localização, também se o céu estiver limpo, sem nuvens. Mas, uma coisa é certa. O brilho estará lá, e será um espetáculo para muita gente.
É isto que Deus espera de nós, cristãos, iluminar. Se as pessoas não enxergarem o brilho que refletimos, e que vem de Jesus, isto não será nossa culpa. Mas, podemos ter certeza de que muito verão, e irão glorificar a Deus. Amém.
Um comentário em “Não somos a luz, apenas falamos a respeito da luz.”
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