Mensagem do Pastor

“Hosana” – Por favor, vem nos salvar!

1º Domingo no Advento (B) – 2023

Textos:   Sl 80.1-7,  Is 64.1-9,  1 Co 1.3-9, Mc 11.1-10

Pastor Marcos Schmidt

A história da entrada de Jesus em Jerusalém para ser aclamado pelo povo como rei não apenas marca o início do Advento. Esta história carrega uma mensagem muito importante para você e para mim.

Advento é chegada, vinda, e assim, lembramos que Jesus vem através de três maneiras, no seu nascimento, pelo Evangelho, e um dia, no Juízo Final.

Ora, isto é uma coisa óbvia, se preparar para receber alguém importante é um capricho que qualquer pessoa responsável pratica. A gente arruma a casa, oferece alguma coisa para comer, e assim por diante. Quando Jesus entrou em Jerusalém, ele estava muito famoso pelos seus milagres e pregações. E havia uma grande expectativa de que ele poderia trazer uma vida melhor ao povo judeu, que vivia escravizado pelo império romano.

Mas, a fama de Jesus aumentou também a ira e a preocupação dos fariseus e líderes religiosos, que por diversas vezes tinham sido chamados de hipócritas por Jesus. É bom também dizer que Jerusalém naqueles dias estava cheia de gente, gente que veio para celebrar a festa da Páscoa que aconteceria uma semana depois, deste Domingo que hoje nós chamamos de Ramos. Era uma cidade pequena, tinha uns 20 mil habitantes naquele tempo, mas com a festa da Páscoa, virava um formigueiro de gente. Alguém estima que passava dos 150 mil os visitantes.

Pois bem, este é o contexto desta entrada de Jesus na cidade que chamam de santa – e que hoje vive uma guerra humana e bem pecadora. Foi no meio desta desordem, habitada por pessoas aflitas querendo uma vida melhor com expectativas de liberdade, gente com ódio no coração que desejava a morte de Jesus, no meio de uma confusão religiosa quando queriam transformar Jesus num libertador político, enfim, foi no meio da desgraça humana que Jesus entrou. E entrou para ser preso, morto na cruz, e ressuscitar.

Jesus entrou em Jerusalém para cumprir a sua missão, salvar o mundo, salvar você e eu.

Vejam, Jerusalém representa o mundo, representa você e eu. O que resta hoje desta cidade são apenas pedras, tijolos e coisas terrenas que foram usadas por Deus para aquilo que ele deseja a todas as cidades deste mundo. É uma cidade sagrada assim como todas as cidades são sagradas – ou seja, separadas para isto que Jesus foi fazer quando entrou neste lugar.

Interessante que, segundo os relatos bíblicos, Jesus entrou em Jerusalém por sete ocasiões.   A primeira quando foi purificado no Templo – uma cerimônia que era realizada com o filho primogênito segundo a lei de Moisés. E a última vez quando Jesus morreu e ressuscitou.

Isto me faz refletir que Jesus precisa entrar na vida de todos nós nos sete dias da semana, isto é, em todos os dias. E como Jesus entra em nossa vida? No dia da nossa purificação por ocasião do Batismo, e sempre quando morremos para o pecado e ressuscitamos para uma nova vida, conforme explica Lutero no Catecismo Menor.

E por que Jesus precisa entrar em nossa vida todos os dias? Por uma questão bem simples, sem ele estamos perdidos, sem salvação, sem saída.

Aliás, este é o grito no Salmo 80: “Ouve-nos, ó Pastor de Israel. Escuta-nos, tu que guias o teu rebanho”.

Este também é o grito das palavras que o povo pronunciou, quando Jesus entrou em Jerusalém: Hosana. Hosana, no hebraico, significa “salva já”, ou “nós suplicamos, salva”.

Todos nós sempre temos razões para gritar “hosana”. Não faltam em nossa vida motivos para pedir por socorro. Aliás, nos últimos dias, estamos sendo vítimas aqui em nosso estado das chuvaradas e enchentes, e muitos gritaram por socorro. E vieram bombeiros, salva-vidas de barco, defesa civil para resgatar e salvar.

E assim, cada um de nós tem as suas enchentes, seus dramas, aflições, angústias, desespero. Chega o final de ano, aumenta ainda mais o número de pessoas deprimidas, e muita gente não consegue lidar com suas tristezas e tira a própria vida.

Onde buscar ajuda? Ora, dependendo das expectativas, dos sonhos e desejos, certamente este Jesus montado num jumentinho não poderá ajudar. Foi o que aconteceu com a maioria daquela gente em Jerusalém, que desejava o céu aqui na terra, e por isto, o “Hosana” transformou-se em “crucifica-o, crucifica-o”.

O que você espera de Jesus? Alguém que vem montando num jumentinho? Ou alguém que vem num carro de luxo?

Certamente os discípulos não entenderam a ordem de Jesus quando pediu que eles arrumassem um jumentinho. Aliás, Jesus sempre caminhava, e caminhava muito, dezenas e dezenas de quilômetros. Agora, para fazer um trajeto bem curto, pede um jumentinho?

Mas, como diz o Evangelho de Mateus, isto aconteceu para que se cumprirem as Escrituras, conforme Zacarias 9.9: “Alegre-se muito, povo de Sião! Moradores de Jerusalém, cantem de alegria, pois o seu rei está chegando. Ele vem triunfante e vitorioso; mas é humilde, e está montado num jumento, num jumentinho, filho de jumenta”.

Este animal simples e sem prestígio foi usado por Jesus exatamente para dizer ao mundo que a salvação que ele veio trazer nos livra de tudo aquilo que tanto nos absorve, nos enche de preocupação, nos engana e nos decepciona.

Aliás, quem somos nós para julgar aquele povo que ficou decepcionado com Jesus naquela semana? Eles viviam o inferno aqui na terra, debaixo da violência dos soldados romanos, sob a desgraça da pobreza, miséria, sem futuro… E quando Jesus diz que o reino dele não é deste mundo, os sonhos do povo viram apenas sonhos e desilusões.

É isto que acontece na vida de muitos cristãos, e muitas vezes na nossa vida, quando surgem os problemas e não são resolvidos como gostaríamos que fossem resolvidos. Quando as orações não são atendidas com gostaríamos que fossem atendidas.

Para não ficarmos decepcionados com Jesus, nós então oramos “e não nos deixes cair em tentação”. Jesus nos ensinou isto no Pai Nosso, exatamente para não sermos enganados pelas falsas promessas de um reino terreno que não passa de um castelo de areia.

Jesus nunca prometeu que a nossa vida neste mundo seria um mar de rosas. Ao contrário, disse que no mundo passaríamos por aflições. Mas tenham coragem, tenham bom ânimo, ressaltou o Salvador, “eu venci o mundo”.

Por isto as palavras em Isaías 64.1, o texto do Antigo Testamento: “Como gostaríamos que tu rasgasses os céus e descesses, fazendo as montanhas tremerem diante de ti!”  Ou seja, como nós gostaríamos que Deus mostrasse que ele é Deus, todo-poderoso, para dar um jeito neste mundo, melhorar a nossa vida, nos livrar do sofrimento, da dor, das coisas ruins. Mas, parece que Deus está distante, longe, que não se preocupa conosco.

Se vocês prestaram atenção em toda a leitura aqui em Isaías, o desabafo do profeta vem logo com uma confissão: “Por causa dos nossos pecados, tu te escondeste de nós e nos abandonaste”.

Será que é isto mesmo, será que Deus nos abandona por causa dos nossos pecados? Como é importante entender a Bíblia, o contexto das palavras. Felizmente, ao dizer isto, o profeta está apenas colocando para fora um sentimento bem humano, e muito presente em nós. Isto é, que as nossas dores e desgraças são um castigo de Deus.

Nossas dores e desgraças até podem ser consequência de nossos erros e pecados, mas esta não é a realidade, ao menos, no coração de Deus. O autor de Isaías reconhece isto, e por isto ele exclama: “Mas tu, ó Senhor Deus, és o nosso Pai; nós somos o barro, tu és o oleiro, todos nós fomos feitos por ti. Não continues tão irado, ó Senhor, nem lembres para sempre os nossos pecados. Não esqueças que somos o teu povo”.

Esta é uma verdade que você nunca pode duvidar. Aliás, é isto que o Diabo tanto faz, colocar dúvidas em nós sobre o amor de Deus. Deus não esquece do seu povo, tanto que ele entrou em Jerusalém. Ele entrou na tua e na minha vida, e veio para nos livrar de todos os nossos pecados e de todas as consequências do pecado.

Meu irmão, minha irmã, outra vez chega a festa do Natal e um fim de ano, e no meio das correrias, festas e alegrias, surgem nossas tristezas, frustrações e preocupações. O mês de dezembro até pode ser comparado com a cidade de Jerusalém naquele dia quando Jesus foi recebido como rei e depois coloca numa cruz como um bandido.

As pessoas, em geral, festejam o Natal assim, colocam Jesus numa manjedoura, cantam Noite Feliz, enfeitam suas casas como enfeitaram as ruas de Jerusalém onde Jesus passou, enfim, recebem Jesus como um rei. Mas, depois matam Jesus em sua vida, através da descrença nas verdadeiras promessas do reino que ele veio trazer.

Mas, nós que gritamos Hosana, não queremos seguir este povo. Queremos seguir Jesus. E para isto, podemos fazer três coisas:

  1. Primeiro, preparar o caminho para Jesus passar. Fazemos isto diariamente, nos arrependendo dos nossos pecados e crendo no perdão.
  2. Outra coisa, o povo de Jerusalém gritava Hosana quando Jesus passava, e assim, confessaram diante dos outros de onde vem a salvação. Em nossas angústias e aflições, podemos dizer hosana, gritar, pedir socorro. E Deus vai nos ouvir. E as pessoas ao nosso lado também vão nos ouvir. E isto será um testemunho para tantas pessoas aflitas, e buscam ajuda em deuses que não podem ajudar.  
  3. E por fim, vale lembrar o gesto do povo, quando muitos colocaram no caminho suas vestes, capas, para que Jesus pudesse passar por cima, montado no jumentinho. Com isto, suas roupas se estragaram certamente. Pois, não tem outro jeito, para Jesus entrar em nossa vida e neste mundo, precisamos deixar de lado muita coisa e colocar a disposição de Jesus. Começando com nossos pecados, nosso orgulho. Depois com nosso tempo, bens e dons, que ofertamos a Deus.

E fazemos isto, porque quem está entrando é o Rei dos reis, Senhor dos senhores que vem nos salvar. Isto é o verdadeiro Advento. Amém.  

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