Mensagem do Pastor

Preparados para a vinda de Cristo

Penúltimo Domingo do Ano da Igreja – 2023

Textos: Sl 90.1-12; Sf 1.7-16; 1 Ts 5.1-11; Mt 25.14-30

Para muitos, a ideia do fim do mundo, juízo final, causa grande terror. Para outros, o assunto não desperta nenhum sentimento, além de descaso e incredulidade. Até mesmo muitos cristãos não levam a sério este assunto, que esta nas páginas da Bíblia de forma muito clara e enfática.

        Mas, e nós, que cremos em todas as promessas bíblicas, como devemos encarar o Fim do Mundo, também conhecido como o Juízo Final?

        Se ouvimos com atenção as palavras do profeta Sofonias, o dia do juízo de Deus é uma ocasião de extremo terror: O grande Dia do Senhor está perto e vem chegando depressa! Será um dia terrível, em que até os soldados mais valentes gritarão de medo (1.14).

        No Salmo 90, lemos que: Nós somos destruídos pela tua ira, e o teu furor nos deixa apavorados.

        Enquanto isto, na epístola, chamam atenção as palavras: Quando as pessoas começarem a dizer: tudo está calmo e seguro, então é que de repente, a destruição cairá sobre elas. As pessoas não poderão escapar… (1 Ts 5.3)

        E por último, na conclusão da parábola, conforme o Evangelho, encontramos palavras duras: E joguem fora, na escuridão, o empregado inútil. Ali ele vai chorar e ranger os dentes de desespero. (Mt 25.30).

        Sem dúvida, não faltam motivos para sentir medo, terror, assombro. E a Bíblia não deixa por menos, pois neste dia, Deus não virá para salvar o mundo, como foi no Natal. Mas virá para julgar o mundo. Virá como Juiz de vivos e mortos.

        Por isto, a pergunta: Qual o sentimento que nós temos quanto a este dia?

Antes de responder esta pergunta, é preciso dizer que o assunto é sério. Não é brincadeira. Existe muita descrença e até zombaria. Mas, é preciso lembrar que a zombaria é até um sinal da proximidade da vinda de Cristo, conforme escreveu Pedro na sua 2ª carta:

Vocês precisam saber que nos últimos dias vão aparecer homens dominados pelas suas próprias paixões. Eles vão zombar de vocês, dizendo: Ele prometeu vir, não foi? Onde ele está? Os nossos pais morreram, e tudo continua do mesmo jeito…

        No entanto, nós cristãos, nunca deveríamos ter dúvidas sobre este dia. Até porque, existem religiões e igrejas que ensinam coisas diferentes daquelas que estão na Bíblia. Isto implica que nós precisamos ter o conhecimento bíblico correto para não cairmos em armadilhas. Por exemplo, o que nós sabemos sobre o milenismo? Como entendemos os sinais indicados por Jesus? E o livro de Apocalipse, e outras passagens proféticas na Bíblia? Temos compreensão a respeito deste tema tão importante para a nossa fé cristã?

        Se NÓS temos dúvidas sobre tais questões, existe muita literatura cristã boa e verdadeira a respeito, que pode nos oferecer as verdadeiras doutrinas. Mas, todo o cuidado é pouco, porque existe muita literatura, especialmente hoje na Internet, que ensina coisas bem diferentes daquilo que Deus revelou na Bíblia. Tenham cuidado! Isto é um recado do próprio Jesus, ao alertar que nos últimos tempos vão aparecer muitos falsos profetas.

        Em todo o caso, qual é a nossa expectativa quanto ao dia em que iremos nos encontrar com o Senhor Jesus?

        A Bíblia diz que Jesus virá na companhia dos santos anjos para julgar todas as pessoas, tanto as pessoas vivas como as que já morreram. Neste julgamento o Senhor Jesus irá buscar na fé de cada um – e nos frutos desta fé – o veredicto, a sentença.

        Aqueles que creram e viveram esta fé, ouvirão o convite mais interessante e grandioso que alguém pode receber:

        – “Venham vocês que são abençoados pelo meu Pai! Venham e recebam o reino que meu Deus preparou para vocês desde a criação do mundo”.   

        Mas, ao lado deste convite tão maravilhoso, muitas pessoas ouvirão a sentença de condenação mais terrível do mundo, proferida pelo Juiz dos juízes:    

        – “Afastem-se de mim, vocês que estão debaixo da maldição de Deus! Vão para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos.”

      A leitura da Epístola, 1 Tessalonicenses 5.1-11, complementa este ensinamento com importantes detalhes:

        O 1º Destaque é que o dia derradeiro virá como ladrão, isto é, de surpresa! É preciso, portanto, vigiar para não ser pego despreparado.

– MAS, O QUE SIGNIFICA ESTAR PREPARADO?

– EU ESTOU PREPARADO?

– SE JESUS VIESSE AGORA?

        Outro Destaque: Enquanto aguardamos a vinda do dia derradeiro, o apóstolo Paulo responde esta pergunta: Como devo ESTAR PREPARADO? O apóstolo escreve: “Devemos usar a fé e o amor como couraça e a nossa esperança de salvação como capacete”!

Couraça e capacete são instrumentos de proteção para os soldados na batalha.

Respondendo de forma mais direta, estar preparado para a vida de Cristo é ter a FÉ cristã, que é a certeza da salvação em Jesus, e, logicamente, a prática desta fé, que é o amor, amor a Deus e ao próximo. Até porque, Tiago diz que a fé sem obras é morta.

à E aqui podemos destacar a parábola de Jesus, a dos talentos, ou dos três empregados. O patrão foi viajar. Mas antes, chamou seus três empregados e entregou dinheiro para que fosse administrado e desse lucro. Um recebeu 500 moedas de ouro, ou 5 talentos, outro recebeu 200 moedas, ou 2 talentos, e o último, 100 moedas, ou, 1 talento.

Quando o patrão voltou, o que tinha 500, conseguiu mais 500 moedas, o que tinha 200, conseguiu mais 200 moedas, mas, o que recebeu 100 moedas, enterrou-as, e na prestação de contas, devolveu estas moedas ao patrão.

Gostaria de lembrar quatro coisas nesta parábola tão conhecida, e faz a gente refletir sobre este assunto Juízo Final:

  1. Ao entregar seus 8 talentos aos três servos, o patrão se tornou dependente da honestidade, da lealdade e da fidelidade daqueles servos.

Ou seja, Deus coloca sobre nós, cristãos, os serviços do seu reino celestial. Ele poderia enviar os seus anjos, ou ele mesmo poderia anunciar com sua voz, como fez quando falou com Moisés no deserto. Mas, deixa este serviço de Ir por todo o mundo, para nós. Porque ele faz isto? Não temos a resposta, mas, sabemos como ele faz isto, e até hoje, tem funcionado, e assim vai ser até aquele dia da volta de Cristo.

  • Outra coisa na parábola: Se os empregados não administrarem de forma correta os recursos que receberam, o patrão poderá se ver em grande prejuízo.

Isto é um risco que Deus corre, em ter o seu precioso tesouro, que é a vida de seu filho de Jesus, não servir para a vida da humanidade. Isto faz a gente pensar sobre a importância de sermos bons administradores do Evangelho e de tudo o que Deus nos oferece nesta vida. Não queremos dar prejuízo a Deus.

  • Chama a atenção na parábola a desculpa fria do servo, que enterrou o seu talento. Em vez de prestar contas, justificou sua irresponsabilidade: – “Eu sei que o senhor é um homem duro, que colhe onde não plantou e junta onde não semeou. Fiquei com medo e por isso escondi o seu dinheiro na terra”.

É sempre assim, Deus é o culpado. Se as coisas não funcionam, é porque Deus, não fez as coisas direito. Precisamos ter todo cuidado quando somos infiéis em nossa vida cristã, quando não usamos nossos dons e nossa vida para os propósitos que Deus deseja: nós somos os culpados, e não é Deus. Este reconhecimento é o primeiro passo para mudar nas atitudes e ser um bom cristão neste mundo.

  • Outra coisa na parábola, o patrão ordena que o talento do servo mau e negligente seja tirado e entregue ao que tinha 10 talentos.

Isto é um recado final para as pessoas que insistirem numa vida descrente, sem fé e sem amor. Elas, pelo fato de enterrar o talento da salvação, que é para todos, vão perder para sempre a oportunidade da vida eterna.

A parábola de Jesus tem um recado para todos nós, cristãos, nós que recebemos o talento da SALVAÇÃO: ele deseja que esta salvação seja multiplica. Nós recebemos a fé, e todas as coisas neste mundo. Enterrar isto é não praticar as boas obras, é não amar o próximo, é não ter os frutos da fé. É não falar para os outros a respeito de Cristo.

E aqui entra uma palavra muito importante na epístola, em primeiro tessalonicenses: “Deus não nos escolheu para sofrermos o castigo da sua ira, mas para nos dar a salvação por meio do nosso Senhor Jesus Cristo!”

Como é importante saber e crer que Deus não nos escolheu para o Juízo, para a condenação. Mas, nos escolheu para vivermos um dia no maravilhoso lugar, que conhecemos como CÉU.

Diz a Bíblia que Deus não tem prazer na morte do pecador. Deus deseja que todos sejam salvos.

Este também era o desejo de Deus para as pessoas do povo de Judá no tempo do profeta Sofonias. O nome Sofonias significa: Deus se escondeu. Ou seja, Deus se escondeu de vergonha deste povo que estava completamente afastado dele, vivendo como viviam as pessoas do mundo. Isto aconteceu uns 600 anos antes de Cristo.

Infelizmente, este Dia do Senhor anunciado pelo Profeta Sofonias aconteceu quando Jerusalém e toda a nação de Judá foi invadida pelo rei Nabucodonozor, rei da Assíria (que hoje é o Iraque). A história nos conta que foram 70 anos do Cativeiro Babilônico.

Neste livro de Sofonias, que são apensas 3 capítulos, o destaque é o Dia do Senhor, que aponta de forma profética a volta de Jesus para julgar os vivos e os mortos. Mas, o castigo que sobreveio ao povo de Judá, que perdeu uma guerra e virou escravo, isto é comparado com o Juízo Final.

E podemos dizer que hoje, todas as coisas ruins que acontecem no mundo, são prenúncios do Dia do Senhor.

Mas, volto a fazer a pergunta que fiz no início desta mensagem:

– Qual o sentimento quanto a este dia?

É claro, que, devido nossa natureza humana, também sentimos certo medo por tudo o que pode acontecer neste mundo de guerras, fome, calamidades, doenças – enfim, diante do sofrimento humano. Isto é algo natural. No entanto, assim como não temos medo da morte, também não temos medo do Juízo Final, e por um simples motivo: a morte e a volta de Cristo significa para nós a salvação.

Isto já diferente para os descrentes.

E aí entra a nossa tarefa: levar o Evangelho, falar de Cristo, praticar o amor, para as pessoas descrentes ao nosso redor tenham também este talento, que é a vida eterna.

        E aqui entra, então, as palavras finais da epístola: “Animem e ajudem uns aos outros!” É um conselho extremamente oportuno nestes tempos quando há tanto desânimo e tristeza.

        Nossa tarefa é, portanto, usar nossos talentos para que na vinda de Cristo, muitas pessoas encontrem em Jesus o seu Salvador. Por isto, dizemos com o poeta: O tempo, no entanto, a vida transforma, e os dias tão breves se vão qual vapor, com eles passamos, por isso nós somos apenas mordomos dos bens do Senhor. Amém.

Pastor Marcos Schmidt

Um comentário em “Preparados para a vinda de Cristo”

Os comentários estão encerrados.