Mensagem do Pastor

O prego que sustenta toda a igreja!

22º Domingo após Pentecostes – 2023

Textos:  Salmo 1, Levíticos 19.1-2, 15-18, 1 Ts 2.1-13, Mateus 22.34-46

Fiquei espantado quando descobri que em nosso país temos mais de 140 mil leis, leis municipais, estaduais e federais.Se todas estas leis são justas e necessárias, isto sempre é motivo de discussão. Mas, a gente sabe que sem leis e regras em nossa sociedade, a vida seria um caos.

Leis existem porque existe injustiça e maldade. A tendência humana é sempre invadir o espaço e o direito dos outros, por isto, seja numa partida de futebol, num condomínio tem que ter regras, até numa igreja, tem que ter juiz, regras, estatuto.

É uma coisa óbvia o que estou dizendo.

Mas, nós cristãos sabemos que leis existem por um motivo que a própria Bíblia nos diz: por causa do PECADO.

Neste sentido, Lutero explicou que a lei serve como FREIO. Freio contra a desordem, o roubo, o assassinato, o adultério, a mentira, enfim, contra tudo aquilo que tenta desequilibrar a harmonia da convivência na sociedade humana.

Mas, a lei não resolve um outro problema, um problema muito mais sério – a convivência, a harmonia, a relação com Deus. E daí Lutero explica que a lei serve como um ESPELHO. Hoje, Lutero diria que a lei serve como uma ressonância magnética, uma tomografia. E revela o que está lá no íntimo de cada um de nós, nossa condição humana, nossa corrupção, nosso pecado.

No Catecismo Menor, na explicação do Ofício das Chaves, Lutero diz que, ao confessar os meus pecados, devo “examinar o meu estado à luz dos dez mandamentos”. Se és pai, mãe, filho, filha, patrão, patroa, empregado; se foste desobediente, infiel, negligente, irado, licencioso, contencioso; se fizeste mal a alguém com palavras ou ações; se roubaste, descuidaste ou cometeste algum dano.

Ora, se eu fizer uma análise bem criteriosa, vou logo descobrir, de cara, que estou muito encrencado perante Deus.

Por isto a leitura no culto do capítulo 19, onde lemos: “O Senhor Deus mandou Moisés dizer ao povo de Israel o seguinte: — Sejam santos, pois eu, o Senhor, o Deus de vocês, sou santo.”

Aí começa o meu e o teu problema: Como ser santo?

Só existe um caminho, cumprir perfeitamente a lei de Deus, em todos os seus detalhes, sem nenhum erro, sem nenhuma falha.

Isto é ser santo. Tanto que Deus diz: vocês precisam ser santos assim como eu sou santo.

Bom, se nós não conhecermos o resto da história da Bíblia, ou melhor, não conhecermos a principal história da Bíblia, vamos ser um Lutero antes de ele descobrir aquilo que mudou a vida dele.

Este foi o equívoco, o engano de uma pessoa que chegou a Jesus com a pergunta, conforme o Evangelho: qual é o mais importante de todos os mandamentos da LEI?

Era um fariseu, isto é, um doutor da lei de Deus que fez esta pergunta. E havia aqui uma pegadinha, uma armadilha, uma pergunta capciosa para tentar pegar Jesus.

Quando ele se refere à Lei, não está apenas falando dos dez mandamentos, mas de todas aquelas leis que foram dadas por Moisés, e que se encontram em Levíticos.

Por isto, quando os fariseus perguntam a Jesus: Qual é o mais importante de todos os mandamentos da LEI? Eles, que eram os juristas, que conheciam de cor e salteado todas estas regras, certamente pensaram: – Agora queremos ver se Jesus sai desta…

E Jesus responde à altura.

Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma e toda a mente. Este é o maior mandamento e o mais importante. E o segundo mais importante é parecido com o primeiro: Ame os outros como você ama a você mesmo.

E Jesus conclui: Toda a Lei de Moisés e os ensinamentos dos Profetas se baseiam nesses dois mandamentos.

Infelizmente, aqueles fariseus não entenderam o que Jesus respondeu a eles. Eles até se calaram, mas ficaram ainda mais presos em sua ignorância.

Eles até sabiam o que Jesus estava dizendo, porque não era nenhuma novidade. Estas palavras de Jesus estavam lá, no livro de Levíticos, conforme lemos aqui no culto. Só que isto tinha ficado apenas na mente deles, e não no coração.

Mas eles precisavam guardar a lei em todo o coração, em toda a alma, e toda a mente.

Diferente dos tessalonicenses, conforme Paulo escreve (1 Ts 2.13).        

Diz Paulo: Quando levamos a mensagem de Deus, vocês a ouviram e aceitaram. Não a aceitaram como uma mensagem que vem de pessoas, mas como a mensagem que vem de Deus.

Para os fariseus, a mensagem de Jesus não vinha de Deus. Por isto a pergunta que Jesus lhe faz depois, sobre o que eles pensavam sobre o Messias? Eles não acreditavam que Jesus era o Messias, que era o Filho de Deus. E assim, eles não tinham o amor para cumprir a lei de Deus, porque não tinham o cumprimento da lei, que é Cristo.

Eles eram aquilo que diz o Salmo 1: “São como a palha que o vento leva”.

Este Salmo tem uma palavra dura, no versículo 5: No Dia do Juízo eles serão condenados

Este é um desafio que nós, hoje, sempre precisamos enfrentar, quando também somos uma igreja que vive repleta de leis e regras.

Além dos Dez Mandamentos, nós somos uma congregação que tem estatuto e regimento interno, que aliás, foram renovados e aprovados recentemente. Temos vários departamentos (servas, leigos, jovens…), com regimentos. Temos um distrito, com estatutos e regimentos. Temos uma IELB, com estatutos e regimentos. Enfim, na congregação, no distrital e na igreja nacional, somos uma igreja que, somando tudo, tem uma porção de regras, normas e leis.

São todas necessárias? Isto também sempre é uma discussão, mas é bom lembrar, é a nossa liberdade cristã em decidir (foi meu assunto no sermão do culto passado).

Mas, aí pode estar um problema, e que foi o problema dos fariseus. Eles se esqueceram da lei do amor. E por isto, nada mais tinha valor. Por isto disse Jesus, que toda a lei de Moisés e dos profetas se baseiam nestes dois mandamentos.

A palavra “se baseiam” – kremantai no grego original do Novo Testamento – literalmente significa – “ficar pendurado num prego”.

Jesus aqui está dizendo que todas as leis, regras, ordens, costumes, cerimônias, tradições, tudo está suspenso, pendurado por este prego que é o amor, o amor a Deus e ao próximo. Se este prego quebra, tudo cai.

Isto nos faz lembrar do prego onde Martinho Lutero pendurou na Porta da igreja de Wittenberg as 95 teses. Os fundamentos da igreja na época estavam comprometidos porque faltava o amor. Quando Lutero descobriu o Evangelho na vida dele, quando conseguiu o “prego” de volta, ele tentou levar esta boa notícia para a igreja. E nós conhecemos muito bem todos os detalhes desta história.

Por isto, sempre precisamos perguntar, nós que seguimos a tradição luterana: qual o prego que nos sustenta? O prego da lei ou o prego do amor?

Se é o prego da lei, então, só existe um caminho: ser perfeito, ser santo, sem pecado. Não adianta fazer parte da igreja, ter o nome no rol de membros, obedecer às regras, ou qualquer outra coisa. É preciso ser santo para no Dia do Juízo eles não se condenado.

Você quer seguir por este caminho? Isto é, depender das leis?

Mas, que prego é este que Jesus fala, que toda a lei depende da lei do amor? Que toda a lei de Moisés e dos profetas se baseiam nestes dois mandamentos?

Na verdade, quando Jesus diz que devemos amar a Deus com TODO o coração, TODA a alma, e TODA a mente, então já começamos a perceber que isto também está muito distante de nossa condição humana.

Portanto, este prego da lei do amor, certamente não é o nosso amor, amor humano, cheio de falhas e imperfeito. Por isto a pergunta de Jesus aos fariseus, O que vocês pensam sobre o Messias?

O Salvador estava oferendo o martelo para os fariseus baterem no prego.

à O que nós pensamos sobre o Messias?

Na verdade, pensar sobre o Messias é olhar para a Bíblia. E analisar a maravilhosa notícia que conhecemos por boa notícia, ou, Evangelho. Foi isto que aconteceu na vida daquelas pessoas da cidade de Tessalônica, onde Paulo falou de Jesus. Pessoas pensaram sobre o Messias. E no coração delas foi colocado o amor de Deus. Mais tarde Paulo escreve duas cartas. A primeira delas está sendo lida, em parte, nos cultos deste período litúrgico de Pentecostes. Daqui 4 semanas nós vamos ouvir a última parte desta carta, onde Paulo escreve que “Deus não nos escolheu para sofrermos o castigo da sua ira, mas para nos dar a salvação por meio do nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós para podermos viver com ele” (1 Ts 5.9,10).

        Esta é a verdade que Lutero também descobriu, e por isto escreveu aquelas 95 teses que condenavam as heresias que vendiam o perdão dos pecados.

Hoje, através do amor de Jesus por nós que perdoa nossos pecados, de graça, podemos ser santos como Deus é Santo. E assim, quando pensamos sobre Jesus, por tudo aquilo que ele fez e ainda faz por nós, só temos motivos, força e condições para amar a Deus, com todo o coração, toda a alma, e toda a mente. Amém.

Pastor Marcos Schmidt

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