
Mensagem: Marcos Schmidt
21º Domingo após Pentecostes – 2023
Textos: Salmo 96.1-9; Is 45.1-7(5-7); 1 Ts 1.1-7; Mt 22.15-21
O maior presente que Deus nos dá é a liberdade. Foi assim que o Criador nos fez, livres. Um presente que está lá em Gênesis. Adão e Eva eram livres, livres inclusive para decidir entre o bem e o mal.
Quem conhece o restante da Bíblia sabe que foi assim mesmo que Deus continuou tratando a sua criatura humana, e isto até nos dias de hoje, ou seja, liberdade para escolher.
E bem sabemos que esta liberdade tem resultados nas escolhas. Se escolhemos bem, é claro, as consequências são boas. Se escolhemos mal, as consequências são ruins.
Este princípio de liberdade é sublinhado por Jesus, conforme o Evangelho do culto, na famosa resposta do Salvador sobre os impostos que o povo judeu era obrigado a pagar ao império romano. Com uma moeda na mão que tinha a estampa do imperador de Roma, Jesus responde: “Deem ao Imperador o que é do Imperador, e deem a Deus o que é de Deus”.(Mt 22.21).
Ou seja, existe uma escolha humana. Não é Deus que vai dizer faça assim, faça assado. Sobretudo quando o assunto envolve igreja e política.
E aqui começa o meu dilema, quanto dar ao imperador e quanto dar a Deus? Isto é, qual é a minha responsabilidade com as coisas do mundo terreno e qual é a minha responsabilidade com as coisas do mundo celestial?
Não é bem isto? Que todo o “santo dia” eu tenho à minha frente decisões que preciso tomar? E as vezes, o que escolher pode mudar radicalmente a minha vida e a vida das pessoas ao meu redor.
Tem coisas que sou obrigado a seguir, a obedecer. Não tenho outra escolha. Por exemplo, estou na rua de carro e o sinal fica vermelho. Sou obrigado a parar. É a lei de trânsito. E nem é preciso explicar a razão desta regra, como tantas outras deste mundo cheio de normas.
Assim, dar ao imperador é obedecer às autoridades, é seguir as leis humanas, é a própria vontade de Deus no 4º mandamento. É o que se espera de qualquer bom cidadão, e é o que se espera de um cristão.
Só que em outras situações sou eu quem faz as leis, sou eu quem decide qual rumo tomar, sou eu quem resolve se vou parar ou se vou continuar.
Por exemplo, surge uma oferta de emprego, e se aceitar, preciso mudar de cidade, ir para bem longe dos familiares e amigos. E lá não tem a minha igreja. Minha família vai ficar longe do ensino da palavra de Deus e da comunhão cristã. O que eu faço?
Muitas decisões não envolvem apenas questões que mudam a vida terrena. Muitas questões do dia a dia mexem também com a vida espiritual.
– Quanto devo dar ao imperador e quanto devo a Deus? Para os fariseus, Jesus deixou a bola picando. E em nossa vida acontece a mesma coisa. A resposta não vem pronta. Preciso decidir…
E aí surge um problema, porque muitas vezes eu escolho coisas erradas. E as consequências sempre aparecem.
É por isto que vale a pena sempre ouvir os conselhos dos mais velhos, porque a experiência de vida deles é o melhor ensinamento que alguém pode ter. Sem dúvida, a história de vida das pessoas, a biografia, é também uma boa forma de perceber o que deu certo e o que deu errado.
Ao festejarmos 98 anos da São Paulo, além de agradecer a Deus pelas bênçãos desta congregação em nossa vida –olhar para o passado. E buscar exemplos para seguir adiante. Bons exemplos e maus exemplos, aquilo que podemos e devemos seguir, e aquilo que podemos e devemos mudar.
E por isto, então, as histórias de pessoas no livro mais interessante para aprendermos qual o caminho seguir, a Bíblia. Ela está cheia de histórias de pessoas que erraram e acertaram. E por isto servem de exemplo para nós. E o mais interessante é que a Bíblia não esconde as os fracassos, os erros, os pecados na vida de personagens como Moisés, Davi, Pedro e Paulo. Ao contrário do que acontece nas biografias e histórias fora da Bíblia, nos livros humanos. Sempre é preciso estar atento com respeito às biografias de personagens neste mundo, os heróis, porque boa parte são inventadas e enfeitadas, e escondem a realidade.
A Bíblia quando fala bem dos personagens, ela, no entanto, não está inventando e enfeitando. Podemos acreditar. Afinal, Deus não engana em sua Palavra.
É por isto que podemos acreditar quando apóstolo Paulo diz que os cristãos de Tessalônica “se tornaram um exemplo para todos os cristãos”. E por que eles são exemplo?
Paulo responde:
“Vocês sabem de que maneira nos comportamos no meio de vocês, para o próprio bem de vocês. E vocês seguiram o nosso exemplo, e o exemplo do Senhor Jesus”.
É bom explicar que Paulo não está dizendo com um orgulho próprio e vaidoso, aquele orgulho de “eu sou um cara bom”. Ao escrever que eles são exemplo porque seguiram o exemplo dele, na verdade, o apóstolo está apontando para Jesus, que foi exemplo na vida de Paulo.
E qual foi o exemplo?
Paulo também responde: “Embora tenham sofrido muito, vocês receberam a mensagem com aquela alegria que vem do Espírito Santo”.
É disto que ele se referia, o exemplo de viver a fé cristã, mesmo que isto traga sofrimento, perseguição, dificuldades.
Aliás, aqui precisamos lembrar que, em muitas situações, escolher o caminho certo é seguir pelo caminho difícil. Na vida cristã isto é a coisa mais certa, sempre haverá perseguição por seguirmos o exemplo de Jesus. Foi Jesus mesmo quem disse, que para segui-lo é preciso tomar a cruz. E tomar a cruz é negar-se a si mesmo, como explica o próprio Salvador. É deixar de lado as escolhas egoístas, é praticar o amor, a humildade, a submissão.
No entanto, cabe aqui dizer algo que nunca devemos esquecer. Esta escolha para seguir o exemplo de Jesus nunca será possível se algo não acontecer na nossa vida. Foi o apóstolo Paulo que lembrou isto na carta aos tessalonicenses:
– “Irmãos, sabemos que Deus os ama e os ESCOLHEU para serem dele” (1 Ts 1.4).
É Deus quem nos escolhe primeiro, e só depois podemos escolher as coisas boas, as coisas que são a vontade de Deus. Ou, como lemos em 1 João (4.19), nós amamos a Deus porque Deus nos amou primeiro.
Os cristãos de Tessalônica ouviram o Evangelho anunciado pelo apóstolo Paulo, e creram. Mas, tudo isto aconteceu na vida deles porque Deus foi até eles, e transformou a vida deles.
Esta é a grande verdade da Bíblia, e que é um grande conforto para todos nós. Se hoje estamos ouvindo e crendo na Palavra de Deus, não foi porque nós decidimos isto. Se hoje podemos festejar 98 anos e fazer parte da história da Congregação São Paulo, é porque Deus nos escolheu, nos chamou. Não foi uma escolha minha, porque eu decidi, porque sou melhor que os outros. O nosso batismo é prova evidente. Fomos levados até a pia batismal no colo de nossos pais, e fomos levados até a fé no colo do nosso pai celestial.
Isto é bom sempre lembrar, e agradecer. Antes que algum tipo de orgulho encha o nosso coração com pensamentos, tipo: “Eu sou cristão porque fui eu que decidi… Ninguém manda na minha vida… Eu sou dono do meu nariz”.
Isto é uma certeza, precisamos decidir muitas coisas e somos livres para escolher entre o bem e o mal. Mas, quando hoje mais uma vez ouvimos pelos textos bíblicos que foi Deus quem decidiu nos amar, e a cada dia este amor fica tão evidente, e quando sabemos que ele nunca desiste de nos perdoar e nos dar nova chance para que nossas escolhas sejam escolhas boas, então seguir o que diz o Salmo 96: Deem ao Senhor a honra que ele merece. Amém.
Pastor Marcos Schmidt
Um comentário em “Deus nos dá liberdade e condições para escolher o que é bom!”
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