17º Domingo após Pentecostes
Textos: Salmo 27.1-9; Isaías 55.6-9; Filipenses 1.12-14, 19-30; Mateus 20.1-16

O que nós ganhamos por sermos cristãos?
Se pensarmos bem, ser cristão não é uma coisa muito fácil. Aliás, é difícil. Ser cristão conforme o chamado de Jesus, é bem diferente do que se vê por aí – estas promessas de prosperidade, bênçãos terrenas, de uma vida neste mundo sem problemas.
Um pouco antes da leitura do Evangelho em Mateus capítulo 20, onde está narrada a parábola de Jesus sobre os trabalhadores na plantação de uvas, nós temos uma pergunta de Pedro para Jesus: “Veja, Nós deixamos tudo e seguimos o senhor. O que é que nós vamos ganhar?” (Mt 19.27)
É uma pergunta justa, afinal, os discípulos abandonaram o emprego, a família e uma vida tranquila – tudo para cumprir o chamado de Jesus e enfrentar, inclusive, a perseguição religiosa.
Jesus foi bem claro que ,para segui-lo precisamos carregar a nossa cruz, estar prontos para morrer como ele morreu, isto é, deixar de lado muitas coisas que a vida terrena proporciona.
Por isto, a pergunta dos discípulos é a nossa pergunta hoje:
– O que nós ganhamos por deixar tudo e seguir Jesus?
Vejam as pessoas que não seguem Jesus: não perdem tempo indo à igreja, não precisam trabalhar e dedicar tempo para o serviço da igreja, não precisam ofertar…
Enfim, as pessoas que não participam de uma igreja têm uma vida bem mais tranquila. E quando fazem uma coisa errada, não tem ninguém para dizer: – olha só, é da igreja, e leva uma vida assim…
Temos toda a razão de fazer a mesma pergunta de Pedro: “nós deixamos tudo e seguimos o senhor… O que vamos ganhar?”
É uma pergunta meio parecida com aquela do jovem rico, conforme está um pouquinho antes, no capítulo 19 de Mateus:
– “Mestre, o que devo fazer de bom para conseguir a Vida Eterna” Mt 19.16.
É quase como dizendo: eu já fiz muita coisa para a igreja, agora, o que falta mais para ter a vida eterna?
– O que eu devo fazer para entrar no céu? O que eu vou ganhar por ter deixado tudo de lado e te seguir?
Se analisarmos bem, veremos que são perguntas que demostram ignorância, desconhecimento das coisas de Deus… E o pior, iguala as coisas de Deus com uma banca de comércio, de negócio … “Eu faço isto e Deus me paga… Eu me esforço e Deus me recompensa”.
O QUE É QUE NÓS VAMOS GANHAR?
Bem diferente daquilo que o apóstolo Paulo escreve na carta aos filipenses, quando confessa:
“A vida para mim é Cristo, e a morte é lucro. Mas, se eu continuar vivendo, ainda poderei fazer algum trabalho útil” (Fp 1.21,22).
Esta compreensão ainda faltava aos discípulos – de que a vida cristã só tem sentido, só tem valor e proveito, quando a VIDA É CRISTO.
E quando a vida é Cristo, então ninguém que vive esta nova existência fará a pergunta: – O que eu vou ganhar com isto?
Afinal, ele já ganhou. Ganhou a vida.
Para que os discípulos pudessem compreender e CRER nesta verdade, Jesus então, com muita paciência, lhes contou a parábola dos trabalhadores na plantação de uvas, conforme ouvimos no Evangelho.
A história é muito simples. Um proprietário de um parreiral de uvas foi até a praça para contratar pessoas desocupadas. O trato era pagar o salário de uma moeda de prata por um dia de serviço, conforme o salário-mínimo da época. Percebemos que o dono da plantação foi 5 vezes no dia até a praça para contratar trabalhadores.
Ele contratou os primeiros operários as 6 horas da manhã, depois as 9 horas, meio-dia, 3 horas da tarde, e por último, as 5 horas da tarde.
Na hora do pagamento, veio a surpresa: todos ganharam a mesma quantia, uma moeda de prata conforme o combinado, inclusive aqueles que trabalharam apenas 1 hora. É evidente que os outros trabalhadores ficaram indignados, afinal, eles trabalharam muito mais, e receberam a mesma coisa que os outros que trabalharam menos.
O patrão, no entanto, se defendeu dizendo que ele não estava sendo injusto, pois o trato era o pagamento de uma moeda de prata. O dinheiro era seu e ele tinha todo o direito de fazer o que queria. Ele estava apenas sendo bom para os últimos trabalhadores.
Jesus terminou esta história dizendo: “Aqueles que são os primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros”
Vivemos num mundo onde não faltam injustiças em questões salariais. Mesmo quando hoje não existe mais a escravidão como nos tempos antigos, grande parte da humanidade não recebe dignamente pelo seu trabalho.
No reino de Deus, no entanto, não existe injustiça. No reino de Deus existe justiça. Mas uma justiça louca aos olhos do mundo. Assim como a justiça deste patrão da parábola.
É por isto que Deus diz através do profeta: “Assim como o céu está muito acima da terra, assim os meus pensamentos e as minhas ações estão muito acima dos seus” (Is 55.9).
E sabem, irmãos e irmãs, ainda bem que é assim. Porque se Deus pagasse o salário que merecemos, então certamente estaríamos no inferno, pois a Bíblia diz que “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23).
E é exatamente pelo fato de todos sermos pecadores que é impossível entrar no céu pela maneira como queria o jovem rico, isto é, cumprindo os mandamentos. Ou, pelo entendimento dos discípulos com a pergunta: – O que vamos ganhar com isto?
Por isto, quando lemos em Romanos que “o salário do pecado é a morte”, o texto bíblico maravilhosamente continua: “ … mas o presente de Deus é a vida eterna para quem está unido com Cristo Jesus”
Na parábola é dito que o dono da plantação contratou pessoas que estavam “desocupadas”. Estar desocupado, sem serviço, significa não ter salário, e consequentemente sem condições para sobreviver.
Esta era a nossa realidade espiritual: estávamos desempregados, desocupados. E assim destinados a viver na miséria espiritual, e condenados ao inferno. Mas Deus nos contratou. Nos deu emprego. E o melhor, nos deu um justo e digno salário – tudo graças ao seu imenso amor.
Lembrando este justo salário, Jesus em outra ocasião disse aos discípulos: “Eu não chamo vocês de empregados … mas chamo vocês de amigos” (João 15.15).
A maioria de nós é cristão desde a infância, desde o batismo. Sem dúvida, isto é uma prova do amor de Deus em nossa vida. Por termos sido chamados desde cedo, estamos tendo o privilégio de servir a Deus por mais tempo, e assim fazer muitas coisas para o Senhor. Ou como disse o apóstolo: “…se eu continuar vivendo, poderei ainda fazer algum trabalho útil” (Fp 1.22)
E hoje, em sua graça, Deus continua contratando, chamando. Mas o que importa é que todos, cristãos velhos e cristãos novos, trabalhadores antigos e trabalhadores recentes, todos possamos com alegria dizer com o apóstolo Paulo: “O meu grande desejo e a minha esperança são de nunca falhar no meu dever, para que sempre e agora ainda mais, eu tenha coragem. E assim, em tudo o que eu disse e fizer, tanto na vida como na morte, eu poderei levar outros a reconhecerem a grandeza de Cristo” (Fp 1.20). Amém.
Um comentário em “O que vamos ganhar? Mensagem do Pastor Marcos Schmidt”
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