Mensagem do Pastor

O perdão não tem preço, mas custa caro. Mensagem do Pastor Marcos Schmidt

16º Domingo de Pentecostes
Textos: Sl 103.1-14; Gn 50.15-21; Rm 14.5-9, Mt 18.21-35

Frequentemente se ouve esta frase:

“Perdoar eu perdoo; mas esquecer, isto eu não consigo!”.

– Impossível esquecer, porque nosso cérebro grava tudo, especialmente quando somos “agredidos” por alguém. Mas, então, o que é perdão? O perdão não é esquecer, apagar, não cobrar mais? O perdão, naquilo que os textos bíblicos nos falam neste fim de semana, está muito longe de ser uma qualidade humana. Perdão é uma ação divina. É aquilo que Deus diz: “Pois eu perdoarei os seus pecados e nunca mais lembrarei das suas maldades. Eu, o SENHOR, estou falando”. (Jeremias 31:34). Mas, o fato de não perdoar alguém que fez alguma coisa muito ruim contra nós traz um sentimento chamado RESSENTIMENTO. Alguém disse que o ressentimento é alguém tomar veneno e esperar que a outra pessoa venha a morrer. O que o ressentimento traz na vida de uma pessoa? Os especialistas na área da mente humana, das emoções dizem que a pessoa ressentida, magoada, que não perdoa,

– Anda sempre desconfiada com todos

– Não faz novas amizades

– Se irrita com facilidade

– Quando está sozinha sente uma tristeza profunda

– Se faz de vítima com frequência – Julga os outros mesmo sem saber de detalhes

– Não se importa em ferir e magoar alguém com suas palavras e atitudes

– É insensível com o sofrimento dos outros.

Alguém de nós quer viver assim? Infeliz? Então, qual o caminho, já que nós não conseguimos apagar de nossa memória as coisas ruins que fazem contra nós? De que forma de guardar mágoas, não ser uma pessoa RESSENTIDA?

O caminho é este, que os textos bíblicos nos indicam Conforme o Evangelho de hoje, aquela pergunta de Pedro mostra que ele não sabia o que era perdoar. Ele perguntou a Jesus: “Mestre, quantas vezes devo perdoar o meu irmão que peca contra mim? Sete vezes?” Pedro estava até bem-intencionado. Alguém de nós já conseguiu perdoar sete vezes; sete ofensas pesadas de uma mesma pessoa? Da mesma pessoa que voltou a pecar contra nós sete vezes? Quem de nós aguentaria isso? Pedro estava disposto a aguentar. Mas Jesus responde: “Nada de sete vezes! Setenta e sete!” O que estava errado na atitude de Pedro foi a base do seu raciocínio. Quem perdoa de fato não conta. Esquece. Mas, nós já vimos que nós não conseguimos esquecer as coisas ruins que fazem contra nós…

Por isto, quando perguntamos igual a Pedro “basta sete vezes?”, é sinal de que nós não esquecemos mesmo, mas estamos registrando e marcando direitinho a primeira, a segunda, a terceira ofensa. Isso é perdão? Do ponto de vista humano, racional, objetivo, sim, é perdão. Mas é um perdão humano.

A parábola muito clara: o cristão perdoa. Ele não age como se age normalmente, não retribui, não paga em dobro a ofensa ou na mesma moeda. O cristão vive uma exceção, age de maneira anormal aos olhos do mundo, pois perdoa a ofensa. Por quê? Por causa daquilo que aconteceu com ele. E o que aconteceu com ele está muito bem-dito na primeira parte da parábola. O cristão é aquele homem que devia a Deus bilhões de reais. Pode alguém imaginar, conceber, avaliar esta quantia? Bilhão de reais? Conforme a parábola, o empregado devia ao patrão milhões de moedas de prata (Bíblia na linguagem de hoje). Na outra bíblia, a versão do Almeida, está dito que o empregado devia 10 mil talentos de prata. Se fizermos os cálculos em dinheiro atual, estes 10 mil talentos de prata correspondem hoje a bilhões de reais. Alguns calculam que o empregado que devia a conta na parábola precisaria trabalhar 175 mil anos, dia e noite, para pagar a dívida. Podemos perceber que esta dívida era impagável para o empregado. Mas a parábola continua. O funcionário sai e encontra outro que lhe devia cem moedas de prata. Hoje isto seria uns 5 a 10 mil reais. Mas ele não perdoa! Coloca-o na cadeia! E o seu colega lhe suplica de joelhos a mesma coisa que ele próprio havia pedido alguns momentos antes: “Tenha paciência comigo! Eu lhe pagarei tudo!” Mas nem isso adianta; o homem é cruel.

A gente fica pensando: Mas onde é que se viu? Como é possível tanta crueldade? Isso não existe! Existe, sim! Este empregado mau sou eu, este empregado mau é você, somos cada um de nós.

Pensem sobre o perdão. O perdão é desistir do direito de cobrar a conta, é riscar, apagar. E agora vamos pensar um pouco sobre nossas atitudes em relação as pessoas que nos ofenderam ultimamente. Pensemos no dia de ontem, na semana que passou, neste último mês. Dificilmente alguém aqui não tenha sofrido uma ou outra ofensa nesses últimos dias. Qual foi a nossa atitude? Existe ou não crueldade dentro de nós como a deste empregado? Nós perdoamos? Nós desistimos sempre do nosso direito de retribuir a ofensa. Nós, que ganhamos de presente a dádiva de bilhões de reais, perdoamos os 5 mil reais? Por outro lado, o perdão que Deus nos oferece – o perdão conquistado por Jesus Cristo na cruz não é algo que deve ficar guardado. E aqui estamos falando do Evangelho. Nossa tarefa é compartilhar a todos os endividados deste mundo que eles não devem mais nada a Deus. Jesus pagou a conta na cruz.

Por isto o Salmo 103 deste fim de semana: “O Senhor perdoa todos os meus pecados (…) ele me salva da morte e me abençoa com amor e bondade”. Amém

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